Palácio assaltado por artistas

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Os néons ofuscam as tochas, as tapeçarias persas contrastam com os catos e um bebé gigante, feito de cigarros, tomou de assalto a capela. Algo de estranho se passa no Paço dos Duques de Bragança


O monte Latito é um dos locais mais agradáveis para passear em Guimarães. Ali ficam alguns dos monumentos mais emblemáticos da cidade-berço: o Castelo, a capela de S. Miguel, onde D. Afonso Henriques terá sido batizado, e o Paço dos Duques, magnífico exemplar da arquitetura senhorial quatrocentista e berço da Casa de Bragança. 




Agradável e apinhado de turistas, sobretudo neste ano em que a cidade ostenta o título de Capital Europeia da Cultura. Fiel ao meu hábito de visitar museus ao domingo de manhã, quando as entradas são livres e a maior parte das pessoas está na preguiça, levei até lá os meus passos no fim-de-semana passado.

Sim, já lá fui dezenas de vezes. Sim, já conheço as salas e todas as suas peças, dos séculos XVII e XVIII. Até porque levo quase todos os amigos que nos visitam em Guimarães. Mas o Pedrinho mostrou curiosidade acerca da “casa do rei” num destes dias em que fizemos uma caminhada ali perto e, como ele era muito pequeno para recordar as visitas anteriores, lá fomos novamente, em seu benefício.


O pátio interior revelou-se ideal para muitas brincadeiras.


À entrada, vários grupos de turistas: alemães, espanhóis e portugueses. Ainda pensei em desistir, mas o Pedrinho não mo permitiu. Ainda bem. É que uma exposição de arte contemporânea misturou-se com o espólio habitual, trazendo surpresas em cada esquina.


Lamento a qualidade medíocre de algumas imagens,  mas não é permitido
fotografar com flash no interior do Museu.


No salão de banquetes, por exemplo, a mesa descomunal é ofuscada pela presença inusitada de sinais e placas de trânsito. Noutra sala, estranhei um conjunto de catos, dentro de um vaso de pregos pontiagudos. 

O quarto mais senhoril (onde me delicio sempre com os motivos mimosos do teto) ostenta telas com motivos sangrentos, enquanto no outro se lêem néons desconcertantes. I’m bored. Could you amuse me?, diz um. Turn me on, pisca outro.





Mas o mais impressionante será mesmo o bebé gigante que se plantou na capela interior, assinado por João Leonardo. Nu, acrescente-se. E feito com filtros de cigarro. Meio milhão de filtros de cigarro, para ser mais precisa.


Um menino no interior da capela, feito com 500 mil filtros de cigarros.

Esta exposição está integrada num projeto mais amplo e multifacetado, promovido pela organização de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, chamado “Castelo em Três Atos: Assalto, Destruição e Reconstrução”, que se estreou com a performance dos Footsbarn Travelling Theatre e que se prolonga por vários meses com artes visuais, cinema, literatura, arquitetura, design, gastronomia e conferências.

Os motivos para vir a Guimarães multiplicam-se, em 2012. Quanto a mim, vou aproveitar para dormir mais e andar de bicicleta com o Pedro porque os museus de Guimarães, até o fim do ano, vão estar lotados… mesmo ao domingo de manhã.



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6 comentários

  1. Sou apaixonada pelo Paço dos Duques, bem sabes já que te chateio sempre para lá irmos. E embora seja a favor destes assaltos de cultura devo dizer que o prefiro à "moda antiga". Mas a verdade é que deu uma saudade dessas salas.... e das fugas aos senhores que não deixam tirar fotos, lol.

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    1. Agora já deixam tirar fotos, desde que seja sem flash. Algumas peças "invasoras" eram engraçadas, agora outras...

      Numa das salas estava um manequim, daqueles das montras das lojas de roupa, tapado por um lençol. Só assim, ali especado, tipo fantasma... Mesmo de meter medo!

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  2. Sou muito tradicional e não gosto muito dessas junções do antigo e moderno, mas damos o "desconto" ser Guimarães CEC... Mas de preferência aproveitar outros espaços vazios, que nesta cidade ainda há alguns, para a arte contemporânea. De resto, a Iara também adorou a visita..

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    1. É verdade, faz falta um espaço para a arte contemporânea em Guimarães. Suponho que vá ser a Plataforma das Artes, no antigo mercado. Aquilo está a crescer...

      Tanto a Iara como o Pedro se divertiram imenso, fizeram milhares de perguntas. Tenho que te passar as fotos.
      Beijinho

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  3. Olá Ruthia :)
    Realmente temos tanta coisa interessante para visitar tão perto! Boa ideia a do domingo de manhã, pena gostar de dormir até tarde, mas no final do dia penso sempre, já passou e não fiz nada interessante! Gostei muito, principalmente o menino feito com filtros de cigarro! Apesar de não deixar comentários tenho acompanhado e "viajado" muito no teu Blog.
    Beijinhos

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    1. Olá linda e obrigada pelo comentário. Sê muito bem vinda ao blog.
      Quanto ao domingo de manhã... deixa vir um pequerrucho e lá se vão as manhãs na cama :) E depois pensas, "bem, já que estou acordada, deixa aproveitar!"

      Muitos beijinhos

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

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