Bolo romano e outros pecadilhos

by - 16:57


Há poucos dias falei-vos da Braga Romana, um evento que honra as raízes históricas da cidade, ao mesmo tempo que promove o turismo local. Porque o post já ia longo, não destaquei os inúmeros sítios arqueológicos que restam daquele tempo.






Sabendo, porém, que muitos leitores do blog são brasileiros – que me pedem para destacar mais destinos portugueses – vale a pena enumerar a Fonte do Ídolo (esculpida no granito, em honra da divindade fluvial Tongoenabiagus), as termas e o teatro romano (no Alto da Cividade) ou o Domus da Escola Velha da Sé, bem no coração da cidade.

Os amantes da arqueologia não podem deixar ainda de visitar o Museu D. Diogo de Sousa, onde decorreram as oficinas de recriação de indumentária romana e os jogos de tabuleiro romanos. Mas vou contar-vos um segredo… aproximem-se… um pouco mais… 

Há vestígios romanos aos pontapés na cidade. Basta ir às Frigideiras do Cantinho, por exemplo. E por falar nesta casa emblemática, deixem-me acrescentar que ali se comem as seculares frigideiras de que Júlio Dinis falava em Serões da Província, curiosidade histórica celebrada numa placa pendurada nas paredes da pastelaria.

“O resto do jantar correu sem novidade, a não ser a saudação geral, que vitoriou a surpresa do doutor, a qual, desta vez, consistiu em uma dúzia das decantadas frigideiras de Braga, a mais apetitosa concepção dos pasteleiros da augusta cidade cesário”.



A Fonte do Ídolo (esq.) e a pastelaria Frigideiras do Cantinho (dir.).
A receita, secreta, inclui mel e frutos secos (especialmente pinhões que eu adoro).



Mas o Júlio Dinis não viveu no século da outra senhora? – perguntem-me. Vá lá, perguntem…. 

Pois, o autor escreveu Serões da Província em 1870, mas as Frigideiras do Cantinho existem desde 1796! E, para além das afamadas frigideiras (massa folhada e recheio de carne de vitela picada), a casa faz ainda um maravilhoso BOLO ROMANO.

Os pasteleiros criaram este bolo, cuja marca registaram, a partir de uma receita do século II, escrita pelo romano Apício. 

O discurso fugiu-me para pecadilhos gastronómicos mas, recuperando o fio à meada, o café/pastelaria tem outra grande curiosidade – um chão de vidro que deixa apreciar vestígios de uma casa romana (domus). Depois da descoberta, os proprietários remodelaram o espaço para que todos pudessem apreciar o tesouro arqueológico que jaz sob os seus pés. E, não se preocupem, o vidro é bem grosso, aguentará o visitante mais avantajado.



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2 comentários

  1. Ruthiamiga

    Grande reportagem sobre Braga, muitos parabéns! Entre bolos e ruínas romanas tiveste pontaria. Obrigado. E não sou bracarense, sou alfacinha...

    Qjs

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

Obrigada por ler as minhas aventuras e ainda gastar um momento para comentar. A sua presença é muito importante para mim. Um abraço e até breve!