Em Braga sê romano

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A cidade dos arcebispos recuou 2000 anos até ao seu glorioso passado romano. E foi recompensada com a visita do augusto imperador.



Cada edição da Braga Romana supera a anterior e os bracarenses entram no espírito da festa (como se vê pelas montras).


Gladiadores e cartomantes, artesãos e soldados, seres mitológicos e nobres arrogantes misturaram-se com a imensidão de visitantes nas ruas históricas, durante a Braga Romana, evento que se repete há já nove anos. 


Mesquita Machado, o conhecido autarca, participou no cortejo de abertura qual César Augusto reencarnado. Outro que não ele poderia sentir-se constrangido por vestir a púrpura imperial. Mas Mesquita Machado mantém-se no poder desde 1976 (isto é, desde as primeiras eleições pós-25 de abril), para orgulho de uns e ódio de outros.

Diatribes políticas à parte, concorde-se que a Braga Romana é um caso de imenso sucesso. Durante cinco dias, o coeur da Bracara Augusta transformou-se, milhares participaram como figurantes (mais de 5000 crianças só no desfile inaugural) e as lojas estiveram cheias.



A Bracara Augusta foi fundada por César Augusto (14-16 a.c.).


A nossa visita começou na avenida Central, onde um grupo de artes performativas conseguiu ignorar o barulho das tunas académicas, que continuaram a sua alegre e ruidosa jornada pela pedonal rua do Souto (a equivalente à Santa Catarina, no Porto, ou à lisboeta Augusta).






No Largo do Paço, em frente à reitoria da Universidade do Minho, um acampamento militar fazia as delícias da criançada, entretida a desconjuntar as máquinas de guerra artesanais. Os soldados pareciam um pouco enfadados, ou estariam na sua “pausa para café”, porque se mantiveram sentados em pequenos grupos, em vez de interagir com os turistas. Talvez fizesse parte do seu papel de invasores. Será?







Dali, cortamos para a rua de N. Senhora do Leite, uma travessa apinhada de gente, videntes e cartomantes (para meu espanto, algumas tinham fila de espera). Logo depois, no Rossio da Sé, um oleiro e a sua incansável roda de argila atraíram a nossa curiosidade.

Soldados romanos brindavam às suas vitórias, outros sequiosos imitavam-nos junto às tabernas improvisadas, num contínuo reabastecer de vinho, licor e hidromel.

Nas bancas dos mercadores, muita cor e variedade, com alguma preponderância para os chás, frutos biológicos, doces e, claro, artesanato.

Seguimos, literalmente, o nariz até à barraquinha dos crepes, onde não resistimos a um Crepe Pompeu – massa de trigo e aveia, recheada com maçã cozida, creme de leite e canela – feito na hora. Foi o pecado do fim-de-semana, pronto!




Um crepe Pompeu, quente e doce.


De novo ao caminho, em direção ao largo de S. João do Souto, onde uma mega praça de alimentação e um palco explicavam o aglomerado de gente. Os assadores estavam numa azáfama de febras, frango e leitões. Apesar dos santos populares estarem quase à porta, de sardinhas nem cheiro.

No palco, as sorridentes dançarinas exóticas eram substituídas por um grupo de música antiga, com flauta e um ritmo forte, imposto por tambores e varas compridas.

No meio daquela animação, duas figuras bizarras chamaram-nos particular atenção. Do alto das suas andas, a Bruxa e o Mestre procuravam ingredientes para uma poção mágica: um menino mal-comportado e uma donzela virgem.

Persegui-os na sua busca com a máquina fotográfica, mas fui apanhada. “Escusa de continuar a disparar os seus feitiços. Sou imune” – lançou-me o Mestre com voz autoritária e ar carrancudo.



Resmungos do Mestre contra os paparazzi.


Talvez a Braga Romana 2012 tenha sido especial, num ano em que a cidade é “Capital Europeia da Juventude” e a pouco mais de 20 km da vizinha Capital Europeia da Cultura, mas não esperava tanta animação. Tive pena de perder os espetáculos noturnos e o cortejo de abertura (foi durante a semana)...

Se estiver por estas bandas no próximo ano, vou vestir-me a rigor, pois como devia dizer o ditado “Em Braga e Roma, sê romano”!





Fotos do desfile inaugural - http://municipiobraga-documentos.blogspot.pt/2009/05/braga-romana-em-imagens.html





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17 comentários

  1. Tão giro!! Podias ter dito qualquer coisa. Embora a minha tendência seja mais medieval e quinhentista estou sempre pronta para recriações históricas. Para o ano marcamos na agenda e vou ter contigo!

    Beijos
    (P.S - quero mais fotos!)

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    1. Olha querida, decidimos um pouco em cima do joelho. Tive um almoço com os sogros no Gerês (vieram numa excursão) e não sabia se ia dar tempo para passar em Braga.
      Para o ano há mais...
      Beijoca com saudades

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  2. Hola,creio que somos vizinhos, eu vivo en Galícia . Gostei do teu blog, parabéns! Siga o meu também,ok?Beijoca!

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  3. Engraçado... vivo nesta cidade... nasci nela... mas... não aderi à ideia...
    Magnífica prosa descritiva.
    Bem Haja.
    António Resende

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    1. Olá António. Nem deu um passeio pelo centro da cidade? Para fugir da confusão ou por outro motivo específico?
      E os planos para a viagem à Alemanha como estão a correr?
      Forte abraço

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  4. Sao muito interessantes estas recriaçoes historicas. Ha dois anos fui acompanhar a do Castelo de Brescia, no norte da Italia. Tudo era voltado para a Idade Média.
    Nos iriamos gostar dessa em Braga, principalmente meu marido que é fascinado por Roma (e ainda nasceu por aquelas bandas).
    O Crepe Pompeu devia estar divinamente delicioso!
    Beijos

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    1. O crepe pompeu era uma delícia, Juliana. E grande!
      Estas recriações são ótimas formas de promover o turismo, envolver a comunidade, animar as cidades. Tem fotos dessa no Castelo de Brescia? Só o nome já dá vontade de visitar :)
      Beijinho

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    2. Fiquei imaginando o gostinho da maçã misturada com os outros sabores mais docinhos... daí lembrei do strüdel que comi na Alemanha :D
      Também gosto dessas festas e é uma forma divertida e interessante de aprender História. Escrevi um texto sobre a reciração medieval em Brescia no blog: http://bloglanostraitalia.blogspot.it/2009/09/idade-media-no-castelo-de-brescia.html
      Beijinhos

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  5. Ruthia, adorei ler os comentários, sobre os lugares que visita. Isso é fogo porque cada vez mais me aguça a vontade de viajar e conhecer novas culturas. Um grande beijo a todos. Continua, não para é muito legal ler... ehehehhh

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  6. Que pena não ter oportunidade para ir..
    Mas depois de ler o teu texto foi quase como se lá tivesse ido..
    Muito bom..

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  7. Juliana, já li sobre a sua visita ao castelo de Brescia. Gostei da descrição da tortura e o filme está fabuloso (a voz do narrador é tudo). Muito obrigada por partilhar.

    Andrea, não tinhas mesmo hipótese a trabalhares como trabalhas, fins-de-semana e tudo. Mas para o ano há mais.

    Beijinhos

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  8. Bem bom dia,quero apenas referir-me à 4ª foto a contar de cima deste blog, onde o comentário está a meu ver incorrecto. Refere-se aos soldados mas na foto não tem soldado algum, o que vemos sentado num tronco de madeira é 1 gladiador,na verdade estava de pausa sim, mas não para o café e sim para recuperar fôlego e forças para o próximo treino, ou seja realmente teve azar se não os viu em acção, em relação ao interagirem com o publico faz parte de 1 personagem, apesar de ser quebrada caso alguém solicitasse algum tipo de explicação ou 1 simples pedido em relação a qualquer assunto... De resto, tem umas belas fotos e já agora a minha barriguinha ficou muito bem na foto, obrigada.

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    1. Olá Bia, seja bem vinda.

      Fica a correção, o senhor da foto é um gladiador e não um soldado, embora a imagem não esteja legendada. Perdoe esta leiga! Mas no acampamento militar havia soldados ou eram todos gladiadores?

      A minha observação não foi de todo uma crítica, aliás deixei a possibilidade de estarem a representar uma personagem. E fiquei com pena, sim, de não os ver em ação mas, com uma criança a tiracolo, não podia lá estar todo o tempo que gostaria.

      Já agora, parabéns pela barriguinha!

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  9. Olá. Sim também tinha soldados, não a considerei 1 critica limitei-me apenas a explicar o seu comentário que me pareceu de desilusão por não ter visto os nossos gladiadores em acção, lamento imenso mas com todo aquele calor se não tiravam uns minutinhos de descanso ainda se sentiam mal..... bem de qualquer forma ter 1 criança á espera não é de todo fácil até porque tenho 1 de 3 anos e sei bem k é difícil mas podia sempre entrar no acampamento e tirar fotos com os gladiadores assim como se informar sobre o horário da próxima actuação coisa que as crianças gostam.... estar ao pé de 1 gladiador ou soldado é algo k eles gostam. Braga Romana já passou mas este ano tem uma Feira Medieval em Sta Maria da Feira em Agosto de 3 a 12 estaremos no castelo ou em Setembro de 14 a 16 em Guimarães não verá gladiadores mas sim cavaleiros....

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  10. Olá, estou aqui retribuindo a sua visita ao meu blog. Estou lendo bastante coisas sobre Portugal e lembrando da minha viagem praí há + de 10 anos!!! Vou enviar o blog para meus pais porque eles estarão ai em outubro... Gostei também dos posts sobre o Egito!

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    1. Muito obrigada pela visita Fernanda. Fico feliz pela sua curiosidade a levar a explorar assim O Berço.
      Se os seus pais precisarem de alguma informação, não hesitem em perguntar. O email é obercodomundo@gmail.com
      Um abraço

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

Obrigada por ler as minhas aventuras e ainda gastar um momento para comentar. A sua presença é muito importante para mim. Um abraço e até breve!