Núpcias com a bênção de Amon-Rá

by - 07:36

As areias do deserto ardem ali perto, mas o Nilo apazigua a paisagem. Vamos descer o maior rio do mundo, para descobrir uma das civilizações mais fascinantes que alguma vez existiu. Comecemos por Karnak, a maravilha arquitectónica que inspirou a Catedral Notre Dame



Resta apenas um obelisco junto às estátuas de Ramsés II,  no Templo de Luxor. O par viajou até à Praça da Concórdia, em Paris. Mais uma façanha do Napoleão Bonaparte... se calhar foi um recuerdo para a Josefina.



A poucos dias de comemorar o meu aniversário de casamento, recordo com saudade a viagem de núpcias ao Egito (aliás já aludi a uma parte da viagem aqui). Estas datas deixam-me nostálgica! Foi num clima de absoluta e patética felicidade que voamos até Luxor, que um dia foi capital do país, sob um outro nome: Tebas.

À nossa espera está Farouk, o guia que arranha português, para nos conduzir ao Cruzeiro Nilo Carnival. Manda a tradição, ou pelo menos o romantismo, que se desça o Nilo de barco, seguindo as pegadas de Agatha Christie. Mas o cruzeiro fluvial permanece ainda uns dias ancorado em Luxor, para visitarmos todas as suas riquezas.

O Templo de Karnak é o nosso primeiro destino… há muito que ansiava por este momento. Na verdade, trata-se de um complexo com vários monumentos grandiosos (sendo o mais importante o santuário dedicado a Amon-Rá), que integra o sítio Tebas Antiga, que a Unesco honrou com o título de Património Mundial. Demorou quase 2000 anos a ser concluído, porque cada faraó quis fazer alterações, acrescentos e novas construções.

O templo é precedido por uma guarda de honra muito especial – esfinges com cabeça de carneiro acompanham esta nossa entrada cerimonial. São apenas vestígios de uma avenida antiga (que teria cerca de 900 esfinges), que ligava os dois templos: Luxor e Karnak.


Farouk e a sua t-shirt com as cores da bandeira portuguesa.



O complexo é tão gigantesco, que parece impossível ter estado enterrado na areia durante mais de mil anos. E os soldados de Napoleão pisaram este chão, sem imaginar a riqueza que jazia debaixo dos seus pés…

O tempo suavizou a minha recordação de Karnak mas nada, mesmo nada, me faria olvidar da célebre Sala Hipóstila (significa “sustentada por colunas”) que inspirou a construção da Catedral Notre Dame em Paris.

O guia usou a metáfora perfeita ao chamar-lhe “floresta”. As 134 colunas gigantes, dispostas em 16 filas, parecem uma floresta de sequóias de pedra, com mais de 21 metros de altura, perfeitamente alinhadas.






Seriam precisos 11 homens altos para chegar ao topo das colunas, e outros 5 ou 6 homens, igualmente grandes e de braços estendidos, para rodear cada uma. 

Absorvida toda aquela majestade, os olhos prendem-se aos pormenores: cada centímetro está ornamentado com gravuras e inscrições. As cores já estão bastante esbatidas, graças ao italiano louco que, no século XVI, inundou a sala para a limpar. Mas no tecto, onde as colunas se unem, ainda se pode apreciar a arte dos antigos.


A bênção de Amón-Rá

Bem no interior de Karnak, fica o lago sagrado, onde um dia os sacerdotes se banharam nos seus rituais. Numa das margens, salta à vista um enorme escaravelho de pedra, símbolo do renascimento do deus-sol, em cada manhã.

Pergunto a Farouk o que fazem várias mulheres junto do insecto. Parece que algumas murmuram qualquer coisa. “Quem fizer um pedido e der sete voltas ao escaravelho, recebe a bênção do deus Rá que ainda realiza o seu desejo”, foi a resposta do guia, que interpelou uma das mulheres, ficando a saber que esta suspirava por um filho.






Isto só prova que há superstições em todos os cantos do mundos, mesmo num país convertido ao islamismo há 12 séculos e que condena estas crendices. Por via das dúvidas, eu e outras portuguesas juntamo-nos à comitiva e, posso acrescentar, o meu desejo concretizou-se!

Um obelisco esguio em granito rosa, esculpido nas pedreiras de Assuão, domina outro pátio. Trata-se de um memorial à rainha Hatshepsut, uma das poucas mulheres-faraó da história do Egito.

Mais tarde, Thotmus III mandaria construir um muro alto para esconder o monumento da “usurpadora” do trono. Resultado: o muro protegeu o obelisco, mantendo-o intacto até hoje. Revolve-te no túmulo, oh faraó idiota! 

Resta-nos uma paragem no imponente Templo de Luxor, antes de regressarmos ao suave balançar do cruzeiro para uma boa noite de sono. Destino de amanhã: Vale dos Reis. Aguardem mais uma evocação agridoce.








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12 comentários

  1. Ruthia
    Um destino exótico e muito interessante. Um dia, quem sabe, chegarei aí no Egito. Por enquanto é um sonho um pouco distante, já que, amo viajar pela Europa.
    Beijos

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  2. Fotos lindas e passeio recheado de cultura.Adorei!! beijos tudo de bom,chica

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  3. Jorge, a avaliar pela sua energia e pelo prazer que retira das suas viagens, chegará certamente ao Egito e a muitos outros destinos. E eu espero acompanhá-lo virtualmente nas suas aventuras :)

    Chica, obrigada pelo carinho. Já soube que está de férias. Aproveite muito para descansar e divertir-se com o neto.

    Beijinhos para os dois amigos

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  4. Menina, adorei viajar contigo neste post, tá bem escrito e explicado..adoro conhecer os lugares e saber sua história..só posso te dizer:
    Muito obrigada
    e fico aqui a aguardar mais um capítulo desta linda viagem!
    bjs
    tititi da dri
    http://tititidadri.blogspot.com.br/

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  5. Olá querida, obrigada pela visita e pelo carinho em me seguir, amei :D
    Vim conhecer aqui e já estou retribuindo, gostei viu!!
    Apareça sempre, será mto bem vinda ^^
    Beijos

    lolaporlola.blogspot.com

    Ps: adorei as fotos, que lugar maravilhoso!!

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  6. Sempre tive um grande fascinio pelo Egito, pena ainda não ter ido lá! Gostei muito das fotos e das curiosidades. Muito bem escrito e organizado.

    Beijoss

    www.isared.blogspot.pt

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  7. Queridas, muito obrigada pela visita e pelos comentários.
    O Egito é mesmo um dos destinos mais apetecíveis para quem gosta de viajar, tem exotismo, tem charme, tem grandiosidade e um passado magnífico. Recomendo vivamente, quem vai nunca fica decepcionado.

    Beijinhos

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  8. O Egito deve ser, realmente, um ótimo destino para se viajar, pois, quando fui a Tunísia, país com uma cultura semelhante a do Egito, fiquei bastante impressionado com o que vi e ouvi. Muito diferente do que estamos habituados a ver e ouvir no mundo ocidental.
    Aliás, é nosso projeto - de minha esposa e meu - viajarmos a Marrocos e ao Egito, quando nos for possível fazê-lo.

    Leonardo Alves
    http://www.leonardo-alves.com/trabalho

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    1. Olá Leonardo e seja muito bem vindo ao Berço.
      Excelente projeto, vocês vão adorar. O Egito é um daqueles destinos
      que não desiludem, apesar das expetativas enormes.
      Abraço

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    2. é muito importante ser bem informado e poder interagir com outras pessoas e nações!

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  9. Olá seu blog é lindo!
    Amei já estou seguindo beijinhos.

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    Respostas
    1. Fico tão feliz com a sua visita e o comentário gentil. Seja bem vinda. Logo que possa, retribuirei a sua visita.
      Beijinho

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

Obrigada por ler as minhas aventuras e ainda gastar um momento para comentar. A sua presença é muito importante para mim. Um abraço e até breve!