Tenho fases como a lua - o olho esquerdo de Hórus

by - 14:39






Deixamos Luxor para trás (revisite a cidade aqui e aqui) e continuamos a subir o rio, em direcção a Assuão. O barco, o Nilo Carnival, tem poucos passageiros, o que nos permite viajar de uma cidade para outra com muita tranquilidade. Quem procura, encontra-me num de três lugares: sala de massagens, jacuzzi ou espreguiçadeira.

Depois do jantar, há sempre animação no bar: a Galabia Party, danças do ventre, os dervixes rodopiantes (filmei com o telemóvel mas ficou uma desgraça, por isso recorro ao youtube) mas nós, newly-weds, perdemos alguns...

A nossa próxima paragem é Edfu, a cidade de Hórus, que desempenhou um papel importante na antiga rota das caravanas, unindo o vale do Nilo às minas do deserto, e que foi sede do culto àquele deus que muitos comparam ao grego Apolo.





Nada mais lógico do que visitar o seu templo, da época ptolomeica. Construído entre 237 a.c. e 57 a.c., o Templo de Hórus é de uma majestade e uma pureza arquitectónica que não deixam ninguém indiferente.

Eu sei, são adjectivos que tenho usado com alguma frequência acerca desta aventura, mas não deixam de ser sentidos, nem tenho outra forma de descrever o quanto aquele país me deixou enlevada. O Egito é uma lição de humildade, não conheço quem lá tenha ido e não se tenha sentido uma pequena formiguinha.

A porta do santuário (pequenina, com apenas 37 metros de altura) é guardada por dois falcões, a forma comum de representar o deus regente dos céus e dos astros neles semeados. Praticamente todas as superfícies, dentro e fora do templo, estão cobertas de baixos-relevos e hieróglifos. Mas, infelizmente, algumas foram desfiguradas por cristãos, que as consideravam pagãs!



O meu marido com uma Galabia típica e o Farouk com uma t-shirt portuguesa!




Foi naquele cenário grandioso, sob um céu azulão, que Farouk nos introduziu na mitologia egípcia… diz a lenda que Ísis pousou, na forma de um pássaro, sobre a múmia do esposo Osíris e, destas núpcias post-mortem, nasceu Hórus. Os deuses são assim, conseguem ser fecundos mesmo depois de mortos! 

Há uma estela no Museu do Louvre que narra este episódio, com o seguinte hino:

Oh benevolente Ísis
que protegeu o seu irmão Osíris,
que procurou por ele incansavelmente,
que atravessou o país enlutada,
e nunca descansou antes de tê-lo encontrado.

Ela, que lhe proporcionou sombra com suas asas
e lhe deu ar com suas penas,
que se alegrou e levou o seu irmão para casa.
Ela, que reviveu o que, para o desesperançado, estava morto,
que recebeu a sua semente e concebeu um herdeiro,
e que o alimentou na solidão,
enquanto ninguém sabia quem era...



Mais tarde, Hórus matou o seu tio Set (ah, estas intrigas familiares) para vingar a morte do pai e assumir o poder no Egito. Numa das batalhas, Hórus perdeu o olho esquerdo, o olho da lua, o que poderá ter originado os ciclos lunares. Extraordinário como há uma explicação para tudo! 



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11 comentários

  1. obrigado por partilhares um pouco do mundo e da sua cultura...

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  2. novamente venho te agradecer a oportunidade de viajar contigo...são lições, tanto de história, quanto de vida, que nos dá! Muito obrigada, bjs
    tititi da dri

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  3. Eu é que vos agradeço, amigos.
    Tozé, eu sei que me vens ler quando podes, mas esta é a primeira vez que deixas um comentário, o que me deixa muito feliz.

    Mirze é tão bom "tê-la" aqui novamente! Voltem sempre e sintam-se em casa...
    Beijinhos para os dois

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  4. Ok... eu não posso ler os teus artigos! :/ A viagem não é nada barata.... por isso vou viajando com as tuas palavras... ;) *** ( ok, mais uma coisa para me ajudar a não pegar naquilo) :P

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  5. Eliana linda, a viagem não é propriamente barata, mas vale cada cêntimo. Não sei se um dia lá voltarei, mas não queria morrer sem pisar aquele chão mítico, sem sentir o bafo quente do deserto, sem me sentir uma formiguinha perante a majestade e a sabedoria dos antigos.
    O facto de ter sido a primeira grande viagem com o Miguel também lhe empresta uma carga afectiva enorme...

    Se as minhas humildes aventuras te ajudam nessa batalha contra o cigarro, sou uma blogger feliz!

    Beijinhos (também para a Dri que deixa sempre um comentário amável)

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  6. Há, de facto, sempre uma explicação para tudo! Viagens maravilhosas as vossas, que mais hei-de dizer? Talvez que, à parte a sala de massagens, eu alinhava em tudo ;)
    Beijinhos,
    Madalena

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    Respostas
    1. Oh Madalena, és a primeira pessoa que conheço que não gosta de massagens. Eu fazia uma por semana. São uma recauchutagem para o corpo (para tirar estes nós das costas e dos ombros) e para a alma :)
      Gosto muito de te ver sempre no meu cantinho
      Beijinhos

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    2. Ruth, só fiz uma vez, mas tive de pedir à senhora para fazer só da cintura para cima, porque não aguentava com cócegas!!!
      Beijinhos

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    3. :) Está tudo explicado então!

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  7. Ah eu amo essas hidro-ofurôs rs, desejei estar ali viu :D
    Ótima sexta!!
    Beijos

    lolaporlola.blogspot.com

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

Obrigada por ler as minhas aventuras e ainda gastar um momento para comentar. A sua presença é muito importante para mim. Um abraço e até breve!