Beyond History

by - 16:57


Os pregões já ali se misturaram com a conversa das comadres. Afinal, (também) para isso serve um mercado. Mas agora vende-se aqui outra coisa. Rara. De seu nome cultura.



Na esquina da Avenida Conde de Margaride com a Rua Paio Galvão, em Guimarães, existe desde sempre um relógio. Os ponteiros estiveram parados durante uma eternidade. Mesmo quando o mercado ali estava instalado, o relógio quedava-se mudo e indiferente.

A torre do relógio e toda a fachada foi restaurada, está de uma brancura imaculada. Por detrás, já não esconde bancas de flores, pão, fruta e verduras. O burburinho deu lugar à tranquilidade, sombras ponteiam, aqui e ali, a ampla praça que nasceu. E o relógio voltou a trabalhar…





Um imponente edifício atrai-nos o olhar. A cobertura, em latão, confere-lhe um brilho dourado ímpar. É uma shinny penny para a cidade berço, com um nome longo e pomposo: Centro Internacional de Artes José de Guimarães/Plataforma das Artes e da Criatividade, um projecto-âncora de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, inaugurado este Verão pelo Presidente da República.

Entramos neste centro que carrega o nome de um artista vimaranense, deixamos o calor na rua, e parece que entramos num mundo novo. Não direi que é o Admirável Mundo Novo que brotou da pena de Huxley, mas aqui cheira, digamos, a primeiro mundo. Um espaço amplo, com a luminosidade certa… até o preço é de primeiro mundo (4 €uros, habituei-me mal com os museus de entrada livre em Liverpool).







A exposição inaugural “Para além da História” foi construída a partir da obra de José de Guimarães, um artista da terra com sólida reputação internacional: ali encontramos, por exemplo, as suas famosas caixas-relicário. Para além disso, ele doou centenas de peças da sua colecção privada, sobretudo de arte tribal africana, pré-colombiana e peças de arqueologia chinesa, que inspiraram a sua criação ao longo dos anos.

Arte tribal, indígena, ancestral e peças religiosas e produções modernas…. Este diálogo entre arte primitiva e contemporânea é muito interessante, e torna-se ainda mais rico com o contributo de outros artistas, com peças encomendadas especialmente para o espaço, e ainda objectos emprestados por associações e museus locais.




 Um sobe e desce escadas, salas que se multiplicam, gigantones ao lado de instalações com néons. E as peças do José de Guimarães sobressaem do conjunto… quem conhece o seu trabalho identifica prontamente a maioria.

Passaram quase duas horas, pude comprovar no tal relógio, que já funciona, e eu não dei por nada. Claro que o meu pequeno parceiro já revela sinais de cansaço, procura locais de repouso em cada esquina e, também por isso, terei que voltar outro dia para saborear alguns detalhes. E não me importarei nada de pagar a entrada. Porque Beyond History merece.



E vocês amigos, o que acharam do nosso centro de artes?



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12 comentários

  1. Lindo passeio cultural e que bom que o pequeno aguentou bem, cansadinho, mas firme...beijos,chica

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    1. Chica querida. Ela já está habituado, eu carrego-o para tudo o que é museu, hehe
      Acho importante ele ter mente "aberta" e sensível às artes. E adorou a sala das máscaras africanas.
      Beijinho minha amiga

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  2. Magníficas fotos! Lindo post. Obrigada por partilhar tão belas coisas.

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  3. Ruth,achei uma obra mais linda que a outra!Adoro os tribais tb!Ainda bem que seu menino aguentou o passeio!bjs e meu carinho,

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  4. lindo Ruthia!!! Amo museus..aqui temos uma residência museu, de um casal que eu conheço desde sempre, pois já eram amigos de meus avós, são amigos de meus pais, e amiga dos filhos e deles também... tive a sorte de crescer convivendo com essa família, em meio a obras de arte (eles tb são artistas) e peças centenárias e algumas milenares. levarei meu filho lá, mas como são idosos, eles pedem que se vá em grupos..espero conseguir formar um grupo com colegas de aula dele.
    bjs desejando ótimo final de semana!!!
    tititi da dri

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  5. Olá garotas, bom domingo para todas.
    Claro que as crianças tiram proveito destas visitas de uma forma muito diferente da nossa. Mas o importante é que percebam que o mundo pode ser visto/representado de muitas formas distintas e aprendam a respeitar todas.
    Viva a diferença.

    Anne, as máscaras tribais são magníficas e tem dezenas delas, mas não podia colocar todas as fotos (embora a tentação seja grande).

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  6. Belíssimo centro de artes.
    Fotos lindas, história interessante.
    Conhecendo o mundo através de seu blog, querida!

    Beijos e ótima semana

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    1. Tal como eu, quando visito o seu. Blogar para sermos mais e melhor, blogar para conhecer gente interessante e nos enriquecermos mutuamente.
      Beijinho querida

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  7. Obrigado muito!
    Que Deus te bendiga com muitos êxitos.
    Z.A. Feitosa

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    1. Agradeço e retribuo as suas amáveis palavras. Seja muito bem vindo ao Berço

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  8. Muito bom e as peças expostas muito interessantes (e nada enfadonhas, como ás vezes se vê nalguns museus ;))!
    Beijinhos, boa semana!

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    1. É o que eu digo M., os museus estão cada vez mais interessantes, com excepções claro :) Embora este não seja propriamente um museu mas uma Plataforma de artes e criatividade com o objectivo de chamar artistas de todo o mundo e, claro, também apresentar algumas exposições.
      Mil beijos

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

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