O caminho de Anchieta

by - 06:45


Fundador de cidades, educador incansável, defensor dos índios, escritor e poeta (compôs até uma gramática) – Anchieta foi, sem sombra de dúvidas, um homem inspirador


Estamos em S. Vicente, na Baixa Santista (litoral de S. Paulo), numa pequena ilha que os índios chamavam de Gohayó. Aqui foi fundada a primeira vila portuguesa no Brasil. 


© br.viarural.com - A ilha de Anchieta 


Um nascimento não muito pacífico: alguns índios resistiram a este estrangeiro que atravessou a imensidão das ondas, para se plantar de armas e bagagens na sua terra. O colonizador encarou os indígenas como bárbaros e inferiores. Aliás, tudo o que não fosse europeu era incivilizado, a seus olhos (acho que o velho continente superou há já algum tempo desta sua arrogância, mas isso seria debate para outro lugar e muitas horas).

Então chegaram os missionários, sobretudo jesuítas, e a evangelização começou. Entre eles, o Padre Anchieta, nascido em Espanha, mas a viver em Coimbra desde os 14 anos, fugido da inquisição que castigava duramente todas as famílias de ascendência judaica. Em Portugal, estudou Filosofia e depois optou pela vida religiosa. 


Rodovia de Anchieta

Chegou ao Brasil em 1553, duas décadas depois da fundação da vila de S. Vicente. Porque falo nele? Alguma coisa ele deve ter feito para ainda ser recordado, a Rodovia de Anchieta foi baptizada com o seu nome, há também uma ilha e uma cidade chamada Anchieta, universidades, hospitais, peças de teatro inspiradas na sua vida extraordinária, uma estátua em Santos e o Dia Nacional de Anchieta (9 de Junho, data da sua morte)…

Na vila de S. Vicente há ainda uma pequena fonte no sopé do morro, em sua homenagem, a que carinhosamente chamam de Biquinha, assinalando um dos lugares onde pregava.


A Biquinha de Anchieta, na vila de S. Vicente

Anchieta não era mais um fanático que impunha o evangelho à força de ameaças e visões catastróficas do inferno. Este era um homem de paz, que aprendeu a língua tupi para melhor compreender os locais. Este era também um homem de justiça, que defendeu os índios das atrocidades dos colonizadores que, não raras vezes, tentavam escravizá-los, roubar-lhes as mulheres e filhos.

Por fim, este era um homem de sabedoria que gostava de escrever - poesia, gramática, história, teatro – e que criou o colégio vicentino, que muito contribuiu para a pacificação e educação da vila. Depois participou também na fundação do Colégio de S. Paulo, embrião de um pequeno povoado, que é hoje apenas uma das maiores metrópoles do mundo. 

O entusiasmo do portuga graças uma espiga de milho cozida
(Com a queridíssima Rita)

Duas vezes por mês, o Apóstolo do Brasil, como é recordado desde a sua beatificação, fazia uma jornada pelo litoral desde o actual estado de S. Paulo até ao de Espírito Santo, com paragens para pregar e descansar em Guarapari, Setiba, Ponta da Fruta e Barra do Jucu (lugares que não conheço, confesso). O que sei é que essa caminhada, com cerca de 105 km, ainda hoje é percorrida por turistas e peregrinos.

O caminho de Anchieta é a prova de que a história nunca esquecerá os Grande Humanistas!






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16 comentários

  1. Extraordinário, Ruthia! Você faz descobrir locais e ainda história. No caso desta publicação, conta também um homem que ainda é recordado quase 5 séculos após ter vivido!
    Obrigada pela viagem no tempo e no espaço!

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    1. Eu é que agradeço os seus comentários sempre generosos.
      De facto, como morei no Brasil em 2011, tropecei nesse nome tantas vezes que fiquei curiosa. Depois uma prima levou-nos a conhecer S. Vicente e eu pesquisei mais sobre ele... defeito de formação (o meu primeiro grau académico foi jornalismo). Fiquei fascinada!
      Um beijinho querida

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  2. Gostei de conhecer a história :)
    Bjs!!

    http://hiimab.blogspot.pt

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    1. E vocês quando vão conhecer os primos paulistanos? Beijinhos para os quatro

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  3. Adorei o caminho de Anchieta por lá! É linda aquela zona toda. Adorei as fotos aqui! beijos,chica

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    1. Conte-nos tudo, querida Chica. O que conhece do percurso? Muitos beijinhos

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  4. Como sempre aprendendo e recordando contigo, minha querida amiga!! amei mais este pedacinho da história do Brasil, contado sob tua ótica.
    nossa como chegou rápido a tua caixinha...fico feliz que tenhas gostado...como comemoramos o Dia da Criança em 12/10 aqui no Brasil, e todos temos um pouco de criança dentro de nos, sem contar o teu pequenino - que os chocolates e doces sejam para homenagear essa criança eterna e maravilhosa que permanece no coração da gente.. e o pingamor foi pensando na alegria que me proporcionastes em fazer-me conhecer esse projeto maravilhoso, obrigada!
    bjs desejando um final de semana doce, alegre, com muito amor!
    tititi da dri

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    1. Fez um fim-de-semana doce a uma família inteira (porque não os vou comer sozinha). Aliás, amanhã temos o aniversário da minha sobrinha de 6 anos e vou levar, para toda a gente provar.
      Beijos mil, minha querida amiga

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  5. Ruth,que gostoso rever imagens de São Vicente que conheci quando criança e fiz uma amiga que nunca mais esqueci!Uma excelente aula de história e Anchieta de fato muito contribuiu na fundação de Sào Vicente,Itanhaem,toda essa região tão bonita!bjs e bom final de semana pra vc!

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    1. Então lhe trouxe doces lembranças, fico feliz. Assim como fico feliz por a "ver" sempre por cá querida poetisa.
      Um abraço enorme

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  6. Ficou lindo, Ruthia... Obrigado por trazer mais um pouco da nossa história para o presente, é muito bom recordar com essas palavras generosas e com um certo carinho, como se tivesse estado lá naquele momento. Um grande beijo! Ah a foto do milho ficou show!!!

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    1. Obrigada Rita. Foi um dos (vários) momentos felizes que vivemos com vocês, primos queridos. E o milho estava mesmo bom :)
      Um abraço para toda a família

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  7. A gente vem aqui, aprende um pouco e fica feliz!
    Obrigada, querida! Uma delícia ler tudo isso.
    Aqui em minha cidade tem uma estátua enorme em uma das praças, do Pe.Anchieta.

    Beijos e ótimo domingo!

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    1. Eu é que agradeço a sua generosidade. Eu gostaria muito de ter conhecido a ilha de Anchieta, pelas imagens deve ser magnífica.
      Como um simples homem pode conseguir tanto, não é? Admirável.
      Beijinhos querida

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  8. Olá Ruthia
    Estou aqui me deliciando com as suas histórias!!
    A gente passa por aqui e sempre aprende um pouquinho mais!
    Adoroo
    bjus

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    1. Ai, eu tenho umas amigas tão doces e generosas que até me deixam sem jeito...
      mil beijos, querida

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

Obrigada por ler as minhas aventuras e ainda gastar um momento para comentar. A sua presença é muito importante para mim. Um abraço e até breve!