Milão 2: Moda e silêncio

by - 14:26


Milão é sinónimo de sofisticação e marcas de luxo. Mas, vizinho ao distrito da moda, existe outro muito mais interessante: o Quadrilátero do Silêncio




A agulha gigante que enfeita a Piazza Cardona diz muito sobre a cidade. Remete para esse mundo efémero, onde os designers e os estilistas italianos dão cartas. São quatro as ruas de oiro, que reúnem algumas das lojas mais caras e exclusivas do mundo: Via Manzoni, Via Montenapoleone, Via della Spiga e Via Sant’Andrea.

São artérias cheias de azáfama, com um movimento contínuo de clientes e turistas curiosos por esse quadrilátero luxuoso, onde as vitrines, originalíssimas, informam preços estratosféricos. Realmente há por lá montras criativas. Recordo-me, por exemplo, da Dolce & Gabana que parece ter-se inspirado na Frida Kahlo.

Mas, não muito longe, aventuramo-nos num outro circuito, muito menos turístico, sugerido pela autora do blogue Milão nas Mãos, que nos encantou. As ruas tranquilas, as fachadas ricas em detalhes que os italianos chamam arte Liberty e os franceses art noveau. A calma sente-se, como um crescendo, à medida que rumamos aos Jardins Públicos Indro Montanelli, onde as mães levam as crianças milanesas para brincarem. O Pedrinho também teve direito à sua pausa no parque, em frente ao belíssimo Museu de História Natural. 







Transposto o Arco da Via Salvini, o burburinho do tráfego fica um pouco mais para trás, enquanto nós, de nariz no ar, contemplamos as cariátides que enfeitam as fachadas da Praceta Eleonore Duse.

Esta parte da cidade foi enobrecida sob o império Habsburgo, quando se construiu o Palácio Reale e os jardins públicos; no século XIX surgiram as belas mansões de estilo neoclássico e art noveau, mantendo-se uma zona privilegiada até os anos trinta do século XX, altura em que se construiu o Palácio Fidia, por exemplo.

Vários destes edifícios têm varandas de ferro e jardins no topo, que apenas conseguimos vislumbrar. Infelizmente, não conseguimos ver os flamingos cor-de-rosa da Villa Invernizzi (estava fechada para obras), o que suscitou alguns protestos dos pequenos. 

Aliás, perdemo-nos e acabamos por nem passar na via Mozart, que faz parte deste circuito. Mas entretanto, descobrimos outras pequenas pérolas, como a pequena e escura igreja de S. Benedito com o seu grupo de freiras em plena demonstração de fé.

Dizem que vários escritores e literatos como Alessandro Manzoni, Cesare Beccaria e Stendhal se apaixonaram pela cidade, graças a estes recantos. Olhando para a Casa Guazzoni (1904-1906), na Via Malpighi, consigo perceber porquê. Existe ali uma densa rede de querubins e guirlandas, janelas esculpidas, ferro forjado e mosaicos coloridos, numa explosão decorativa muito feliz.




Queria ter conseguido captar a magia da Casa Guazzoni, mas as minhas 
limitações de fotógrafa não permitiram.


Qual dos quadriláteros vos parece mais apetecível? 
O da Moda com ou o do Silêncio? 

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Acesso ao quadrilátero do silêncio: linha vermelha do metro, saída em Porta Venezia ou Palestro.

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17 comentários

  1. O da moda pode, ressalvadas as especificidades, ser encontrado em qualquer metrópole. Já o do silêncio...

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    1. Não podia estar mais de acordo. Mas somos um pouco "aves raras" Marta, não lhe parece?
      Beijinho

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  2. O silêncio preenche mais que qualquer roupa. Não tenho dúvidas de qual quadrilátero escolho!
    Lindo post, Ruthia!
    ps: partimos para o Sul de Portugal em uma semana e seria um prazer vê-la, quando chegarmos ao norte!
    Um Beijo!

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  3. Sem a mínima dúvida, vou directa ao Silêncio... :) Até porque nunca fui muito de modas, prefiro sempre o estilo desportivo, embora goste, MUITO, de um bom perfume :)
    Excelente reportagem, mais uma vez, querida Ruthia.

    Uma semana muito feliz.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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  4. Tudo lindo por lá, mas moda nunca me atraiu, por isso , o outro é o meu escolhido!Que bom nunca faltam parques pro Pedrinho que assim não se cansa...bjs, chica, linda semana!

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  5. ai amiga... adoro 'pegar carona' nas tuas viagens.. e esta, m deixa sem palavras... tudo lindo... e sabes que moda também é o meu mote, uma vez que já pisei nas passarelas nos meus bons tempos... mas é a arquitetura, a história que agora mexem com o meu imaginário.. bjs

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  6. Eu gostaria de conhecer o Quadrilátero do Silêncio pois amo descobrir ruelas, prédios antigos com estátuas,anjos e outras figuras nas fachadas. Que delicia de passeio por Milão !

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  7. Silêncio, sem dúvidas. Essa moda absurdamente cara e pra poucos e que, creio eu, difícil quem use nas ruas, eu dispenso. Silêncio é sempre necessário.
    E as fotos, como sempre, ficaram dignas de uma profissional. Parabéns!
    Uma linda semana, beijos!

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    1. Silêncio devia ser um bem de primeiríssima necessidade, Clara.
      Abraço

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  8. Boa tarde, a moda é feita por ciclos, quero dizer, tudo que passou de moda volta a estar na moda, depois de olhar aos preços praticados pelo representante da Dolce & Gabbana, leva-me ao silencio com falta de ar.
    AG

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    1. Hahaha, estes preços realmente são de humedecer um simples mortal...

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  9. Ola Ruthia, uma bela viagem com partilha maravilhosa desta Milão.
    Que bom o Pedrinho neste encantamento girando pelo parque.
    Que pena os preços para arte serem tão exorbitantes.

    Meu terno abraço a voces.
    Bjs de paz amiga.

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  10. OI RUTHIA!
    PARA MIM, SERIA O DO SILÊNCIO,MAS CREIO QUE MUITAS MULHERES VÃO OPTAR PELO DA MODA, COM ESTAS MARCAS ENTÃO...
    ABRÇS AMIGA
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  11. Sem dúvida o do silêncio. Nunca liguei muito à moda quando era nova, muito menos agora.
    Um abraço e obrigado pela partilha

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  12. Ruthia, a moda é passageira e em todos os lugares se encontra peças belas a preços acessíveis. Mas a riqueza do outro lado, o que nos apresentou, enche os olhos. É ali que mora a beleza que só aumenta com o tempo (quando conservada) e nos traz a história. Bjs.

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  13. Eu amo moda. Em Berlin tem uma rua só de marcas famosas, as vitrines são maravilhosas. Bom de ver e sonhar.

    Bjs

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

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