O romantismo de Lourizán

by - 15:50




Depois de uns dias na Corunha e a percorrer a magnífica Costa da Morte, tinha planeado uma visita a Pontevedra, antes de regressar a Portugal. Mas uma imagem, encontrada por acaso no meio das pesquisas, alterou os meus planos. Quem nunca visitou um local apenas por causa de uma fotografia?
 
Bem, neste caso, tratava-se de um palacete com uma pátina romântica, semi escondido por uma mata exuberante e guardado por estátuas de inspiração grega. Reconheço que aquela foto fez a minha imaginação voar.

Quando dei por mim, estava a estacionar em frente ao Pazo de Lourizán, na margem esquerda do estuário entre Pontevedra e Marín, numa manhã quente de Agosto. O caminho arborizado de acesso abafou o barulho da estrada municipal, envolvendo-nos num doce encanto à medida que as fontes se sucediam e o piso de terra nos pedia marcha lenta.

Depois, no final de uma curva, surgiu a casa, imponente, com a sua escadaria imperial e os seus guardiões de pedra. É daqueles casos em que as fotografias, por muito mágicas que pareçam, ficam aquém da realidade. O magnífico edifício do século XIX foi construído pelo arquitecto Genaro de la Fuente, com traços classicistas, um torreão coroado com um grande relógio e longas galerias envidraçadas, como se fossem corredores do próprio jardim.





O primeiro-ministro espanhol Eugenio Montero Rios usou-o como residência de verão e ali tomou importantes decisões políticas. O jardim ainda guarda traços dessa época esplendorosa, com a sua estufa modernista de ferro e vidro, e tantas árvores monumentais que lhe chamam uma "jóia do património botânico da Galiza". Há por ali carvalhos centenários, castanheiros, araucárias e bétulas, ciprestes e pinheiros, cedros e palmeiras, magnólias, camélias.

Consigo imaginar como este jardim deve ser lindo em cada uma das estações do ano: com os caminhos pejados de folhas doiradas e outonais, com uma explosão de cor quando as camélias estão floridas ou tão nostálgico sob um céu de chumbo invernoso...

O governo adquiriu o espaço nos anos 40 e, depois de uns anos a funcionar como Escola Superior, hoje acolhe serviços do Ministério do Ambiente. Parece que planeiam criar ali um Centro de Ciência Ambiental (o que quer que isso signifique). Entretanto, o palacete permanece fechado e os jardins praticamente desertos. 






Não me estou a queixar... foi uma delícia passear por ali sozinha com o pequeno explorador. Só não nos aventuramos muito na floresta envolvente, por falta de sinalização [são 54 os hectares que pertencem ao Paço].

Já nos preparávamos para partir quando finalmente apareceu vivalma: dois rapazinhos com as suas bicicletas. Pode não ser um local turístico mas, sem sombra de dúvida, é um belo cenário para brincadeiras.






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16 comentários

  1. Os lugares que não aparecem nos roteiros turísticos é que são, frequentemente, os mais interessantes...

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  2. Boa noite, Ruthia, que lugar lindo, quantas janelas, dentro deve ser bem claro, uma verdadeira floresta circunda o palacete... Realmente, ao ver uma foto dessas eu mudaria meus planos, mas para o pequeno explorador, deve ter sido um maravilhoso achado!
    Gratidão por partilhar conosco suas lindas descobertas, felizes dias, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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    1. Deste lado, gratidão, por ter sempre os meus leitores fiéis por aqui

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  3. Que lindo palacete e lugar! Pena um lugar assim fechado e com pouca gente, o que intimida... beijos, tudo de bom,chica

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    1. Ainda que, em teoria, tenha pena do lugar não ser devidamente promovido... por outro lado, adorei ter todo o espaço só para mim e para o Pedrinho :)
      Beijinho

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  4. Postagem fantástica!!!
    Um doce abraço, Marie

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  5. Gosto dessas descobertas fora dos roteiros tradicionais...
    O seu texto é tão delicioso que me faz estar lá também.
    Abraço!

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  6. Como é empolgante nos surpreendermos com lindezas feito este palacete e arredores.Lugar bem romântico, fadado a sonhos que se destacam em teu relato, Ruthia.
    Adoro passear em tua companhia e na do pequeno explorador.
    Bela semana pra vcs.
    Bjo,
    Calu

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  7. Muito legal esta sua postagem Ruthia, pois estou pensando seriamente em ir de férias com o maridão justamente para o norte de Portugal e uma parte da Galícia. Vamos em julho de 2017. Quero percorrer de carro estes lugares, já que meus avós vieram de Monforte de Lemos e o Rubim tem mãe portuguesa, com certeza! Será uma viagem de volta às origens e certamente vou procurar umas dicas por aqui...

    beijinhos

    Bia <º(((<

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    1. Se precisarem de ajuda ou tiverem alguma dúvida sobre estas paragens, perguntem à vontade. É tão bom planear uma viagem, não é?
      Beijinhos

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  8. virastes desbravadora agora... amei esse teu post.. me deixou um ar de mistério somado à curiosidade em conhecer o local... imagino-o repleto de pessoas a caminhar pelos jardins.. nobres a conversar sobre o futuro do mundo.. mulheres com suas sombrinhas cheias de babados e seus longos vestidos... uau, que cena linda! bjs

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    1. Mesmo, Dri. Acho que poderiam filmar aqui um lindo filme de época.

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  9. Ruthia, fantastico. Alias, muito bom voce mostrar, acredito que existam muitos lugares turisticos que não são divulgados. Aqui no Rio de Janeiro alguns palacetes foram abertos ao publico, sendo transformados (ou tombados como dizem). Um deles, que adoro, fica no Catete e tem um Jardim maravilhoso.
    Bjs

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    1. Se um dia voltar ao Rio, vou requisitá-la como guia nessa cidade maravilhosa. Combinado?
      Beijos

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  10. Querida Ruthia
    Os seus textos deveriam ser compilados e fazer parte de uma obra sobre Literatura de Viagens.
    A sua prosa poética prende-me atá à última palavra.E como fiquei curiosa para visitar os jardins do palacete!
    Muitos parabéns, grande escritora.
    Beijinhos ao seu pequeno explorador.
    Aquele abraço
    Beatriz

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

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