Liverpool 1 – Beatles rainy day

Liverpool reinventou-se, a partir de um passado portuário e industrial. Hoje é um dos destinos culturais mais vibrantes da ilha de Sua Majestade, com muita música à mistura


A Cidade Mercantil de Liverpool (incluindo os imponentes edifícios da Mann Island) foi classificada pela Unesco como património mundial, em 2004.


“Dolby Hotel” – o simpático condutor lançou o aviso aos portugas desorientados, 30 minutos depois de abandonar o John Lennon Airport. Os portugas são: eu e o meu marido. A desorientação é própria de quem aterra a meio da noite numa cidade estrangeira.

Apesar do adiantado da hora, não tivemos que esperar muito por um autocarro rumo à frente marítima. Escolhemos o Dolby pela sua localização – na Queens Dock a uns 10 minutos a pé da Mann Island, da zona das docas e do centro da cidade – e também pelo preço. Foi uma escolha simpática. Construído no típico tijolo vermelho, o hotel é simples mas asseado, possui internet gratuita nos quartos e um serviço de bar/restaurante muito razoável. 

Na manhã seguinte partimos cedo, pelas margens do rio Mersey, rumo às “docas do Alberto”, para usar a expressão do Miguel. 

A zona portuária mereceu um grande projecto de recuperação em anos recentes, convertendo grandes armazéns em espaços culturais, restaurantes, galerias de arte. Só no quarteirão do Albert Dock encontramos quatro museus: o Tate, o Museu Marítimo Mersey, o Slavery International Museum e The Beatles Story (o único com entrada paga).


Tínhamos concordado em dedicar um dia aos Beatles, e olhando o tradicional clima britânico que nos aguardava na rua, decidimos que seria já o primeiro. Pouco depois refugiávamo-nos no The Beatles Story, o espaço que conta a história dos meninos bonitos da cidade


O museu é bastante interactivo, cada um tira da experiência o que quiser, escolhendo as explicações adicionais que quer ouvir, nos auscultadores que recebe à entrada. Contudo, tive alguma dificuldade em concentrar-me nas explicações da narradora, a Júlia Lennon por sinal, por causa da música ambiente.

Antes de seguir para o Pier Head para mais experiências Beatles (incluídas no preço do bilhete, que custou £12,95), uma pausa no Starbucks do museu, com banda sonora e decoração condizente.



O Pier Head (pontão ou cais) é também ponto de partida para as viagens de ferry. Mas, tendo em conta o vento frio e a chuva miudinha, não foi aventura que nos tentasse naquele momento. De modos que subimos ao andar superior para a Fab 4-D Experience

O pequeno filme narra a atribulada viagem de Mike até Albert Dock, ao som dos Beatles pois claro, num estranho autocarro que se transforma em submarino para atravessar o Mersey (Yellow submarine), passando por cenários bizarros com morangos (Strawberry Fields), céus estrelados (Lucy in the sky with diamonds) e cemitérios (All the lonely people).

Não só os nossos bancos se mexem ao sabor dos solavancos, como um esguicho nos molha quando o dito autocarro mergulha na água do rio (à segunda vez já não teve tanta graça).

A marca Beatles é explorada um pouco por toda a parte: existe o Hard‘s Day Night Hotel e o McCartney’s Hotel & Bar, o John Lennon Airport, mecânicos com o nome de Penny Lane ou empresas de mudanças Eleonor Rigby… As estátuas de bronze dos músicos enfeitam a cidade, sem esquecer o Monumento pela Paz, em homenagem a John Lennon, mesmo em frente à Echo Arena.

The Beatles Story - entrada e o interior (incluindo momento de introspecção junto ao piano de Lennon, ao som de Imagine).


Duckmarine e Beatlesmania

Uma das curiosidades turísticas de Albert Dock é o Yellow Duckmarine, por alusão ao famoso submarino que os Fab4 cantaram. Tal como os patos, desloca-se na água e em terra. A sua popularidade é tal, que até a rainha-mãe experimentou uma vez.

Mas claro, a Mathew Street é O destino de peregrinação dos turistas, que não passam sem entrar, mesmo que fugazmente, no Cavern Club. Nós não fomos excepção: ir a Liverpool e não passar no pub é o mesmo que ir a Roma e não ver o papa, ou pelo menos a Praça de S. Pedro.

O nome diz tudo – é preciso descer três lanços de escadas para chegar à cave onde o grupo foi descoberto há 50 anos. A cidade comemora, de resto, a efeméride com uma série de eventos ao longo de 2012.







Acrescente-se que The Cavern Club tem um ambiente fabuloso, com música ao vivo mesmo durante o dia, famílias inteiras a tirarem fotografias (as crianças podem entrar até às 19h30), e jovens (e não tão jovens) apreciadores de música, de cerveja, ou de ambas.

Assim foi o nosso Beatles day: frio, chuvoso, mas também muito musical. As composições deles estão-nos de tal forma entranhadas que começamos a cantar sem perceber; nem eu imaginava que sabia tantas canções deles.

Diga-se que vou trautear Beatles lyrics durante os próximos quinze dias. Qual é a vossa música preferida?






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