Mundo liliputiano

De visita ao Portugal dos Pequenitos. As muitas mães que, como eu, procuram experiências divertidas para os filhotes, mas com uma pontinha pedagógica, vão gostar desta viagem.






Verão (no hemisfério norte), tempo quente e férias escolares têm resultados assim. De resto, a forma como viajamos muda bastante quando os filhos chegam. Tudo se torna mais pausado, deixamos os programas intensivos – “se calhar nunca mais volto a esta cidade e quero ver tudo” – porque temos horários que incluem “é hora de comer!” ou “ele tem que dormir a sesta” , já para não falar das muitas idas à casa de banho.

Acho até que começamos a apreciar, de uma forma mais descontraída, o mundo à nossa volta. E o menos torna-se mais.


Esta semana fui até Coimbra, ao Portugal dos Pequenitos, um jardim temático com miniaturas, à escala, de monumentos portugueses e casas tradicionais de todos os pontos do país. Muitos anos se passaram desde a minha última visita (quantos? Já lhe perdi a conta…) Apesar dos seus 72 anos, o parque mantém um encanto muito próprio. É como entrar num livro de Swift e viajar até ao país dos pequenos liliputianos.

Mas estou a adiantar-me. Rewind. Voltamos à bilheteira, para comprar o bilhete e apreciar a entrada: nada mais, nada menos, do que a fachada de um palácio com os arautos reais a anunciar a nossa chegada!

A mais bela janela do mundo (o original está  em Tomar).


Logo um fotógrafo do parque se apresenta para o retrato oficial. Depois, abre-se-nos um mundo intrigante. Os primeiros pavilhões são dedicados aos países de expressão portuguesa e afins – Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde, Índia, Timor, Macau (ainda lá está), Guiné Bissau. A própria arquitectura os denuncia!

Ao fundo, o Infante D. Henrique faz as honras da casa, apresentando um mapa mundi que testemunha a aventura dos Descobrimentos portugueses.

Entramos depois num Portugal Monumental, onde existe uma belíssima janela manuelina do Convento de Cristo (Tomar), o Castelo de Guimarães, a Torre dos Clérigos (Porto), o arco da Rua Augusta ou a Torre de Belém (Lisboa).






Coimbra ocupa um lugar de destaque, talvez por ser o berço deste Portugal em miniatura, com os monumentos mais importantes, nomeadamente a esbelta Cabra. A cabra é uma torre barroca, do século XVIII, que simboliza a Universidade e a própria cidade, com relógio e sinos, que regulam a vida académica.

Se os adultos apreciam particularmente esta área monumental (a nostalgia assalta-me ao recordar o tempo do mestrado, na Universidade de Coimbra), a alegria dos pequenitos é evidente junto das Casas RegionaisEles entram e saem, sobem ao terraço, fecham as portadas, espreitam pelas janelitas minúsculas, riem e falam muito alto… 

Estão aqui representadas as casas típicas de cada região com pomares, hortas e jardins, capelas, moinhos, poços e pelourinhos. E são tão coloridas - diversas das casas em série, cinzentas e iguais, que hoje se constroem...





O Pedrito e a prima não fazem distinção entre um solar de Trás-os-Montes e uma casinha caiada de pescadores. Todas encantam. Passada a euforia inicial, em que passam de uma para outra à velocidade da luz, escolhem o seu lar. 

“Esta agora é a nossa casa. Está a anoitecer, fecha as janelas” – o diálogo parece excluir-nos até que alguém se lembra das boas maneiras. “Minha senhora, quer entrar?”. Agradecemos a amabilidade, entramos, fingimos beber um chá (o interior não tem mobília) e voltamos a sair em busca de um banquinho, para dar descanso às pernas.


Alheios ao nosso cansaço (saímos para almoçar e regressamos às casinhas minúsculas), os dois petizes criam o seu “mundo de faz de conta”. Acreditem se quiserem, mas foi muito difícil arrancá-los dali!


Site do parque aqui | Época baixa 10h-17h, época média 10h-19h, época alta (Verão) 9h-20h |
Bilhete família de 2 adultos e 2 crianças (dos 3 aos 13): 26,75 € (preços de 2018).




Etiquetas: , , , , , , , , , , ,