O caminho de Anchieta

Fundador de cidades, educador incansável, defensor dos índios, escritor e poeta (compôs até uma gramática) – Anchieta foi, sem sombra de dúvidas, um homem inspirador

Estamos em S. Vicente, na Baixa Santista (litoral de S. Paulo), numa pequena ilha que os índios chamavam de Gohayó. Aqui foi fundada a primeira vila portuguesa no Brasil. 

© br.viarural.com - A ilha de Anchieta 


Um nascimento não muito pacífico: alguns índios resistiram a este estrangeiro que atravessou a imensidão das ondas, para se plantar de armas e bagagens na sua terra. O colonizador encarou os indígenas como bárbaros e inferiores. Aliás, tudo o que não fosse europeu era incivilizado, a seus olhos (acho que o velho continente superou há já algum tempo desta sua arrogância, mas isso seria debate para outro lugar e muitas horas).

Então chegaram os missionários, sobretudo jesuítas, e a evangelização começou. Entre eles, o Padre Anchieta, nascido em Espanha, mas a viver em Coimbra desde os 14 anos, fugido da inquisição que castigava duramente todas as famílias de ascendência judaica. Em Portugal, estudou Filosofia e depois optou pela vida religiosa. 

Chegou ao Brasil em 1553, duas décadas depois da fundação da vila de S. Vicente. Porque falo nele? Alguma coisa ele deve ter feito para ainda ser recordado, a Rodovia de Anchieta foi baptizada com o seu nome, há também uma ilha e uma cidade chamada Anchieta, universidades, hospitais, peças de teatro inspiradas na sua vida extraordinária, uma estátua em Santos e o Dia Nacional de Anchieta (9 de Junho, data da sua morte)…


Na vila de S. Vicente há ainda uma pequena fonte no sopé do morro, em sua homenagem, a que carinhosamente chamam de Biquinha, assinalando um dos lugares onde pregava.

Rodovia de Anchieta

A Biquinha de Anchieta, na vila de S. Vicente

Anchieta não era mais um fanático que impunha o evangelho à força de ameaças e visões catastróficas do inferno. Este era um homem de paz, que aprendeu a língua tupi para melhor compreender os locais. Este era também um homem de justiça, que defendeu os índios das atrocidades dos colonizadores que, não raras vezes, tentavam escravizá-los, roubar-lhes as mulheres e filhos.

Por fim, este era um homem de sabedoria que gostava de escrever - poesia, gramática, história, teatro – e que criou o colégio vicentino, que muito contribuiu para a pacificação e educação da vila. Depois participou também na fundação do Colégio de S. Paulo, embrião de um pequeno povoado, que é hoje apenas uma das maiores metrópoles do mundo. 

Duas vezes por mês, o Apóstolo do Brasil, como é recordado desde a sua beatificação, fazia uma jornada pelo litoral desde o actual estado de S. Paulo até ao de Espírito Santo, com paragens para pregar e descansar em Guarapari, Setiba, Ponta da Fruta e Barra do Jucu (lugares que não conheço, confesso). O que sei é que essa caminhada, com cerca de 105 km, ainda hoje é percorrida por turistas e peregrinos.

O caminho de Anchieta é a prova de que a história nunca esquecerá os Grande Humanistas!

O entusiasmo do portuga graças uma espiga de milho cozida (Com a queridíssima Rita)








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