Ho, ho, ho


Papai Noel ou Pai Natal? Bacalhau ou churrasco? Cachecol ou biquíni? Depende do hemisfério

Hoje vou recuperar o espírito do Natal passado, dar umas pinceladas no Natal presente e talvez sonhar um pouco com o Natal futuro, bem ao jeito de Dickens.

O Pedrinho em Dezembro de 2011.


No ano passado, passei o Natal no Brasil e isso fez toda a diferença! Acampei com a família (no Camping das Pedras, em Itu), dei longos passeios a cavalo, fizemos um jogo de futebol de solteiros contra casados, vesti o biquíni e mergulhei na piscina para me refrescar.

A Consoada, ao ar livre, fez-se de carnes grelhadas, saladas, e doces também. Aliás, ensaiei umas rabanadas remotamente parecidas com as portuguesas, porque o pão de bolhinha que usamos na receita não existe lá, o açúcar mais usado é praticamente em pó (ao invés do nosso cristalizado) e até o óleo para fritar tem um sabor diferente.






Os nossos primos foram carregados de panetones, bolos herdados da tradição italiana e que estão por todo o lado, nas padarias e supermercados e que se oferecem aos conhecidos em vez dos nossos tradicionais Ferreros Rocher (os chocolates lá são um pouco diferentes, menos cremosos, para resistirem melhor ao calor).

Cantamos canções de Natal à luz das estrelas, de manga curta mas com a mesma alegria no coração, brincamos ao amigo secreto e demos muitas gargalhadas.

Este ano volto ao Natal tipicamente português, com frio, lareira acesa e agasalhos. Na ceia de Natal terei o tradicional bacalhau cozido com couves e batatas, por quem não morro de amores, mas que até me sabe bem, só porque é Natal.

Como estarei em casa dos sogros, sentirei falta dos doces da minha mãe: as verdadeiras rabanadas, os sonhos de abóbora, o pão-de-ló com queijo, o tronco de Natal e, sobretudo, os mexidos, um doce típico do Minho que apesar do aspecto estranho é simplesmente ma-ra-vi-lho-so.





O Pedrinho em Dezembro de 2012.
Os mexidos de Natal, tradicionais no Norte de Portugal, sobretudo no Minho.


Perto da meia noite, se as crianças aguentarem até essa hora, as prendas (presentes para os falantes do Brasil) que estão junto da árvore de Natal serão distribuídas. 

Em 2013, se os Maias erraram e o mundo não acabar, quem sabe onde estarei nesta quadra festiva? Talvez em Paris, feliz com o rosto do meu filho perante a magia da Disney, que é ainda mais deslumbrante nesta altura do ano.

Gostava muito de visitar a Suécia, que tem tradições belíssimas em honra de Santa Lúcia, a rainha da luz, com as meninas vestidas de branco e coroas de folhas na cabeça, onde poderia beber "glögg", um vinho quente com especiarias, onde se juntam pinhões e passas. O problema é que na Suécia faz ainda mais frio do que em Portugal.

Portanto, peço ao espírito do Natal futuro que me leve até um país quente (porque não em África?!) onde poderei enfeitar uma palmeira, ao invés do pinheiro. A alegria será a mesma, desde que esteja com o meu marido e o meu pequeno companheiro de aventuras. Porque Natal só tem significado se for em família.



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