Faro sob inspiração árabe


Fica na Alameda João de Deus, em Faro, mas lembra tanto o Quarto de Costura da Rainha, em Sevilha (aqui).
Depois do centro histórico de Faro (aqui); vamos descobrir o Museu Regional do Algarve, a poucos minutos da Vila Adentro e da zona ribeirinha. Este é um museu pequeno, com um espólio modesto e despretensioso. Ocupa apenas parte do rés-do-chão de um edifício imponente, o que se traduz em quatro salas dedicadas à região algarvia.

Um carro acolhe-nos à entrada, cedido pelo último aguadeiro de Olhão. Isso mesmo! Servia para levar água às pessoas, quando as canalizações eram um luxo reservado a uma elite.
As paredes ostentam arreios e vários ornamentos para os animais que puxavam carros como este. Não fazia ideia para o que algumas peças podiam servir, mas os nomes deram algumas pistas: brincos de mula, retrancas, cabrestos, testeiras, canzis, guizeiras, barbilhos… quem disse que um burro não pode andar bonito?

Depois surgem os trajes, o artesanato (gostei muito dos sapatos de ourelo), os instrumentos agrícolas e a parafernália de pesca, ou não tivesse o Algarve muitos quilómetros de costa. Ele são redes, âncoras, miniaturas de embarcações e até um barco real…


Os sapatinhos de ourelo (em baixo, esq.) e os cântaros que os aguadeiros levavam de aldeia em aldeia (em baixo, dir.).


A maior riqueza do espaço é, contudo, o trabalho de Carlos Porfírio (1895-1970), pintor, realizador e um dos mentores do Museu, cujas telas refletem tradições e paisagens deste sul que é “Amendoeira em flor”, é “Festa em Monchique” mas também “Copejo do atum”.

As casas tradicionais estão igualmente representadas, com a alvura da cal e as suas chaminés rendilhadas, de inspiração árabe (prometo que lhes dedico um post, um destes dias).
Esta é uma ascendência muito marcante, já que o Algarve permaneceu sob o domínio árabe durante mais de cinco séculos. Uma influência poética, plasmada nas milhentas lendas que se contam sobre mouras e mouros encantados, mas também em edifícios como o Banco de Portugal, ou na belíssima fachada da Biblioteca Municipal Ramos Rosa.

A bela fachada da Biblioteca Municipal (em cima) e o edifício do Banco de Portugal em Faro (em baixo, esq.)

O facto da casa dos livros estar voltada para o frondoso Jardim da Alameda João de Deus dá-lhe ainda mais charme. E foi neste Jardim que o meu pequeno explorador viu, pela primeira vez, um pavão, embalado pela música de um quarteto de sopro: trombone, clarinete, saxofone e trompete.
Suponho que fossem alunos do Conservatório Regional, nos seus ensaios de rotina, e emprestaram uma banda sonora fabulosa à nossa manhã.


Bilhete do Museu Regional do Algarve (adultos): 1,5€
P.S. Terminei o primeiro volume de Um Mundo Sem Fim, do Ken Follett, e pergunto-me porque raio não comprei logo a continuação…


Etiquetas: , , , , , , , , ,