Sand City

Esculturas temporárias, que chegam aos 12 metros, nada têm de inesperado. E se disser que estas obras de arte são feitas de areia e duram apenas quatro meses?



Consegui captar-vos a atenção? Óptimo. Porque este sul que descubro aos poucos é surpreendente. Vamos lá aos factos. 

Facto: o Festival Internacional de Esculturas em Areia (FIESA) nasceu em 2003, foi crescendo em tamanho e ambição, cada ano com um tema diferente. Facto: Diz a organização que se trata do maior evento do género no mundo, considerando a quantidade de areia utilizada (40 toneladas).

Facto: Os escultores convidados são cerca de meia centena e vêm de vários pontos do globo, da Síria ao Brasil, da Rússia ao Canadá, passando pela Turquia, a República Checa e muitos outros países europeus.

Facto: A exposição demora oito semanas a ser preparada. Trata-se de juntar, molhar e compactar areia, que deve ser o mais fina possível e não ter sofrido erosão (não me perguntem como é que verifica isso), para durar mais tempo.


Cinema e música são uma combinação fantástica. Quem não se lembra da banda sonora do seu filme favorito?


Deixemos o árido mundo dos factos para nos assombrarmos com esta arte, que ocupa um espaço exterior – ou seja, as esculturas de areia estão sujeitas à chuva e ao vento – de 15 mil metros quadrados. O tema do FIESA nos últimos anos tem sido a música.
Para criar o ambiente certo, a cidade de areia tem grandes colunas em sítios estratégicos, que espalham uma melodia de fundo perfeita. Mas as esculturas logo remetem a banda sonora para uma nota de rodapé mental, porque entramos numa dimensão puramente visual. Acreditem que as fotografias não fazem jus ao trabalho dos escultores.


Nesta dimensão, o Fred Astaire surge ao lado da Carmen Miranda e o bizarro mundo das óperas de Wagner compete com os deuses gregos da música. Nesta dimensão há lugar para a expressão religiosa da música (gostei particularmente do espaço dedicado à música hindu) e para os musicais da Broadway, sem esquecer os grandes ícones mundiais. 


Lá está o Ray Charles e a Madonna, o Freddy Mercury e o Luciano Pavarotti, o rei Elvis Presley e o Bono Vox, os irreverentes Rolling Stones e os míticos Beatles, The Wall dos Pink Floyd, o Michael Jackson e o Jimmy Hendrix, Miss Hot Legs (nunca mais soube nada da Tina Turner, será que se reformou?), e outros fenómenos mais recentes como a Beyoncé, a Shakira, a falecida Amy Winehouse, o Tupac e até o Justin Bieber.

Amy Winehouse e Justin Bieber (cima, esq.), o rapper Tupac (baixo, esq.), a música japonesa e de raiz hindu em areia

Mozart, ao piano, mostra-se indiferente à minha conversa com o génio Bethoveen.

Os escultores são muito democráticos, inspiram-se em todos os géneros musicais e até deixam um cantinho para os filmes de animação e para a rádio portuguesa, onde o refrão de “Grândola, Vila Morena” nos lembra a força da música de intervenção. 
Duas horas depois, emergimos deste mundo feito de partituras e instrumentos musicais. Antes de regressarmos a casa, ainda há tempo para votar nas nossas esculturas favoritas e nos refrescarmos no Sandy Bar, com um colorido granizado.


Está no Algarve? Aproveite para conhecer três praias belíssimas da costa algarvia: As 3 praias mais bonitas do Algarve

::::::
Preço do bilhete: 9,90€ (adulto) e 4,90€ (crianças dos 6-12 anos).
Site do Festival:  aqui 

Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,