Belmonte dos Cabrais

A vila de Belmonte é conhecida e visitada por dois grandes motivos: por ser berço de um grande navegador, de seu nome Pedro Álvares Cabral, e pela sua vibrante comunidade judaica.


"Olha, mamã. Chamava-se Pedro, como eu!"

Aconchegada entre o vale do Zêzere e a Serra da Estrela, duas muralhas naturais que em muito facilitavam a defesa militar da recém-criada nação, a pequena localidade viu por isso edificado um castelo, em meados do século XIII. Mais tarde, a sua história fundiu-se com a da família Cabral, alcaides-mor destes lugares, linhagem que pariu um dos maiores navegadores portugueses.

O descobridor do Brasil terá nascido em Belmonte em 1467, brincado neste castelo com a sua elegante janela manuelina - onde as duas cabras, símbolo dos Cabrais, dividem o espaço com uma esfera armilar -, antes de se aventurar no mar em busca de uma quimera, novos mundos, ou simplesmente glória perante o seu rei. 


A poucos metros do castelo, na despojada Igreja de Santiago, repousam os restos mortais de vários membros desta ilustre família. Bem no centro do Panteão dos Cabrais está uma urna de granito muito simples, com parte das cinzas do aventureiro Pedro. Sim leram bem...  foram retiradas do túmulo original na Igreja da Graça, em Santarém. A fama não garante o sossego além-túmulo, antes pelo contrário!

Tropeçamos no nome do navegador por toda a vila. Em sua honra baptizaram-se ruas, escolas, menus. Isso explica também a criação oportuna do Museu dos Descobrimentos, que é um espaço fantástico.



A urna com cinzas do navegador, no Panteão dos Cabrais (esq. cima).



- Podes mexer e tocar em tudo - disse a menina da bilheteira ao meu pequeno explorador, que respondeu com um grande sorriso. Então o museu é interactivo? Excelente notícia para as suas mãozinhas curiosas, apesar de estar muito bem treinado para não tocar em nada noutros espaços museológicos.


Portanto lá fomos refazer as pisadas do outro Pedro de há meio milhar de anos... fomos recebidos pelo som das ondas e das gaivotas. Só faltou cheirar o mar! 

Vimos os monstros outrora imaginados pelos marinheiros; estivemos nas entranhas de um navio, entre barris, grossas cordas e ratos (de pano, felizmente); presenciamos um dia inteiro no mar e passamos por uma grande tempestade, por entre os balanços das vagas... até que chegamos ao Brasil.






De volta a terra firme, tivemos o primeiro contacto com um nativo virtual, que se assustou com o espelho que lhe oferecemos, desembaraçamo-nos das lianas da floresta amazónica (na verdade eram fios de néon), constatamos a riqueza da fauna e da flora, dançamos aos ritmos quentes brasileiros e experimentamos vários instrumentos musicais... a cultura do país irmão está belamente representada.

Só por este museu já vale a pena ir a Belmonte. E a boa notícia é que só paguei 7,50€ por um bilhete familiar que garantiu entrada no Panteão dos Cabrais, no Museu Judaico (a que dedicarei um futuro post), no Museu dos Descobrimentos e no Ecomuseu do Zêzere. 

Tínhamos ainda acesso ao Museu do Azeite com o mesmo bilhete, mas as energias já não deram para tanto e trocamos essa visita pelo primeiro gelado do ano.

Uma troca perfeita para concluir uma tarde já primaveril.


Museu dos Descobrimentos: aqui | Ter-dom: 9h30-13h00, 14h30-18h00 (horário Verão) | Bilhete: 5€ (adulto), grátis para menores de 6 anos (preços Verão 2017)



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