Um verraco pelo Dia da Mãe





- Como hoje é o teu dia, podemos fazer o que quiseres! – declarou, peremptório, o meu explorador de palmo e meio, no primeiro domingo de Maio.

Com carta branca para decidir o programa do dia, eu, adivinhem lá…. Decidi visitar um novo destino. Mamã previsível! Rumamos a Ciudad Rodrigo, até porque a Primavera chegou em todo o seu esplendor, em honra das mães, brindando-nos com um céu vibrante e campos salpicados de rubras papoilas.

O que vimos na pequena Ciudad Rodrigo? Uma muralha como tantas outras que já visitamos, o castelo de Enrique II Trastámara, hoje convertido em hotel, uma catedral engraçada, mas não imponente, uma minúscula Plaza Mayor que é uma mera sombra da de Salamanca.


Plaza del Buen Alcalde.

O mapa é dele. Às vezes condescende e deixa-me consultá-lo.
"Só há um lugar no mundo / onde está sempre tudo bem /
É um lugar quente e fofinho / É o colo da minha mãe"

Alguns pormenores da Catedral de Ciudad Rodrigo, incluindo a Porta de Cadena.


Esta cidadezinha espanhola não é majestosa, grandiosa, esmagadora ou qualquer outro adjectivo do género. E, no entanto, vi algo que nunca tinha visto na vida: um berrão ou verraco, na língua de Cervantes! Agora, perguntam-me vocês, “o que raio são berrões”?

Na verdade, são meras esculturas em pedra de animais (porcos domésticos, javalis, touros, bodes, cães e raramente ursos), em tamanho natural. Até aqui, nada de especial. E se eu acrescentar que são omnipresentes na geografia do interior de Espanha e dos nossos Trás-os-Montes e que foram esculpidos por uma tribo celta (os vetões) muito antes de os romanos pisarem com as suas sandálias estes caminhos poeirentos?

Esculturas pétreas, zoomorfos sem vida, guardiães do caminho, divindades ganadeiras, deuses telúricos… As descrições poéticas escondem um facto muito pueril - não se sabe muito bem para que serviam os berrões ou verracos. As teorias vão do simples “para delimitar um terreno” até ao mais rebuscado “são símbolos místicos, ligados a rituais da fertilidade”. 


Em Espanha, os verracos mais famosos serão os 
“Toros de Guisando”,  na província de Ávila. 
Do nosso lado da fronteira temos a 
“Porca de Murça”, daí o nome do vinho!! 




O verraco de Ciudad Rodrigo (séc. IV a.c.) é um porco em pedra, com genitais desmesuradamente abonados. Descoberto ali perto, nas margens do rio Águeda, hoje está plantado em frente ao Castelo e parece que vai irromper numa corrida, o que é incomum neste tipo de esculturas.

Resumindo, aprendi algo novo naquele domingo, ao lado do meu pequeno parceiro de aventuras. Há lá prenda melhor para uma mãe!? 






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