A janela mais célebre




Continuamos no coração do território templário, desta vez em Tomar, fundada pelo grande Gualdim Pais (se forem a Tomar, saibam que a sua estátua guarda um "segredo").

Digo GRANDE porque era minhoto (tendenciosa), um valente guerreiro, que se tornou o 4º Mestre da Ordem dos Templários. Foi ele que transferiu a sede da Ordem de Soure para Tomar e, graças a isso, hoje podemos pasmar perante o Convento de Cristo, património da humanidade desde 1983 pelo que representa - segundo a Unesco simboliza o mundo medieval europeu, das cruzadas - e também pela sua célebre janela. A janela do capítulo.

Chamam-lhe "janela manuelina" porque foi projectada pelo próprio monarca e o artista, Diogo Arruda, seguiu os ditames reais. Não era muito sensato contrariar um rei, mesmo um conhecido como O Venturoso...




Do lado de dentro da famosa janela, num nicho, ficam estas fontes onde se realizavam os autos-da-fé. A culpabilidade dos réus dependia de que boca jorrava a água.


O resultado é uma nova gramática decorativa, dizem os entendidos, que mistura a arte europeia com a oriental, com motivos náuticos, que espelha a visão universalista que D. Manuel I tinha para Portugal (daí os Descobrimentos). 

Mas o Convento de Cristo é muito mais do que uma janela, por muito bela que seja. Ele é um dos maiores complexos monásticos da Europa e, para além disso, tem uma imponente Charola Templária, centrada, tal como o Templo da Rocha, em Jerusalém.

Todo o edifício, belíssimo, resulta de seis séculos de ininterrupta construção, reconstrução, alterações, decorações e acréscimos. Mesmo durante a dinastia filipina, quando os espanhóis se sentaram no trono, as empreitadas continuaram.


Nesta charola, o Mestre Templário abençoaria os guerreiros, já montados a cavalo, antes de algum ataque ou campanha militar





Deambulamos durante algumas horas, até porque a Joana conhece bem os cantos à casa. Aliás, a companhia de teatro a que pertence (Fatias de Cá) utiliza o Convento como cenário para várias peças! Saibam que as performances duram várias horas, pelo que há pausas para comer. Por exemplo, O Nome da Rosa dura mais de quatro horas e tem 6 momentos de refeição... Só tenho pena que seja demasiado rebuscado e prolongado para o Pedro aguentar!

Terminamos, cansados mas felizes, na cafetaria do Convento de Cristo. Parece o lounge de um hotel. Infelizmente, não houve tempo para explorar a cidade do rio Nabão, que evoca longínquas e alegres memórias dos meus tempos universitários.

Um dia volto. Quem sabe durante as famosas Festas dos Tabuleiros?


Perto de Tomar, a Quinta da Cardiga (hoje votada ao abandono) pertenceu igualmente à Ordem do Templo e depois à de Cristo.


P.S. A sangrenta extinção dos templários foi muito mais razoável, em Portugal, graças à habilidade de D. Dinis que criou uma nova Ordem (de Cristo) para onde se transferiram cavaleiros, bens e o próprio Convento. Grande diplomata.

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