Paris: roteiro de 2 dias na capital francesa

A ville lumière espera-nos, sedutora, para um fim-de-semana romântico digno de uma comédia romântica de Woody Allen. Bienvenue ao nosso roteiro de Paris, a cidade da moda, da arte e da gastronomia


Bien sûr, não se conhece a cidade num fim-de-semana. A sua história, património e programação cultural podiam reter-nos tempos infinitos, como aconteceu a Hemingway (autor de Paris é uma Festa), a Picasso e, sobretudo, a James Joyce que chegou para uma visita de duas semanas e ficou duas décadas.

Mas nem toda a gente pode ter a boémia vida dos artistas e em dois dias já se desenferruja o francês aprendido no liceu. Viens, que o tempo é escasso para tudo o que Paris tem para nos oferecer. Começamos este roteiro no coração do coração: a Île de la Cité, em pleno rio Sena. 





DIA 1: Notre Dame, Sainte-Chapelle, Pont des Arts, Louvre, Place de la Concorde, Église de la Madeleine, Arco do Triunfo e Torre Eiffel

Começar o dia na Notre Dame é um privilégio. Em frente à Catedral fica o ponto zero, a partir de onde são calculadas as distâncias em França. Dali começamos já a contemplar as torres altíssimas. Mas o melhor é vê-las de perto, vencendo os 387 degraus em caracol até aos domínios do sineiro Quasimodo e das famosas gárgulas.
Depois de se deslumbrar com a paisagem e visitar o enorme sino “Emmanuel”, descemos para visitar a catedral, olhando (com olhos de ver) os detalhes da fachada, como um anjo decapitado, e o interior magnífico.
Seguimos depois para a Sainte-Chapelle, uma das igrejas mais belas do mundo, construída por Luís IX para conservar as relíquias da Paixão de Cristo. O tecto da Capela baixa é de um azul profundo enfeitado de flores-de-lis doiradas, enquanto a monumental Capela alta tem vitrais com 1113 cenas bíblicas. 

A luz filtrada pelas cores dos vitrais dão ao interior uma luminosidade incrível (leiam o post da Márcia Picorallo, do blog Mulher Casada Viaja, sobre a Santa Capela aqui).



Allons-y agora pela Pont Neuf, que por ironia é uma das mais velhinhas da cidade, caminhemos ao longo do Sena curtindo as bancas dos bouquinistes repletas de livros e gravuras antigos até à Pont des Arts, em tempos pejada de cadeados. A prática de trancar o amor era altamente perigosa para a ponte e para os barcos que navegavam por baixo: em 2015, quando foram retirados, pesavam 45 toneladas! Hoje a ponte está mais clean e tem uma vista linda sobre a Île de la Cité.

Dali ao Louvre é um saltinho, como prova a fotogénica pirâmide de vidro ao virar da esquina. Para quem está pela primeira vez na cidade, é obrigatória uma visita breve, para o que precisará comprar o bilhete online, porque as filas são quilométricas. 

Também é preciso um plano: conheça a Vitória de Samotrácia e a desmembrada Vénus de Milo, a minúscula Mona Lisa e outras telas famosas como A Liberdade Guiando o Povo e Coroação de Napoleão (todas no piso 1) e prossiga, sem remorsos ou pena do que ficou para trás. Se parássemos 10 segundos em cada obra do museu, ficaríamos lá 4 dias
Cruzando o pequeno arco rosado - Arc de Triomphe du Carrousel, comemorativo das vitórias de Napoleão – entramos oficialmente nos Jardins de Tuileries com as suas belas esculturas de Rodin e Giacometti, árvores e lagos. 

Almoçamos aqui, ao jeito parisiense de piquenicar, antes de seguirmos até à Place de la Concorde, onde tantas vezes desceu a guilhotina durante a Revolução Francesa, incluindo para decapitar Luís XVI e a sua Marie-Antoinette. Mas quem se lembra do passado sangrento perante o obelisco de Luxor, com mais de três mil anos, a Fontaine des Mers e a Fontaine des Fleuves?




Fazemos um pequeno desvio para revisitar a pacífica Église de la Madeleine, antes de desbravarmos uma das ruas mais cobiçadas do mundo - oh Champs-Élysées – onde as maiores marcas de moda e joalharia exibem a sua griffe

Os preços das montras não se adequam à nossa carteira, mas o Arco do Triunfo já espreita no horizonte. Com tempo (e dinheiro) pode subir ao terraço do maior arco do mundo e desfrutar duma das vistas mais populares da cidade luz. Por baixo, fica o Monumento ao Soldado Desconhecido.

É tempo de apanhar o metro até aos Jardins do Trocadero, para uma vista maravilhosa sobre a Torre Eiffel, o monumento mais visitado do mundo. As multidões para a bilheteira são intimidantes, portanto tente comprar a entrada online (missão quase impossível, nós não conseguimos). Subimos até ao segundo piso da dama de ferro, a tempo de apreciar um belo pôr-do-sol. No Verão, também é agradável sentar-se no Campo de Marte a beber algo fresco.





DIA 2: Quartier Latin, Palácio e Jardins de Luxemburgo, Les Deux Magots, Musée d’Orsay, Invalides e Monmartre

Começamos o segundo dia na margem esquerda do Sena, no animado Quartier Latin, com os seus cafés, restaurantes e bistrots, com os estudantes da Sorbonne e inúmeros edifícios interessantes, como a Shakespeare & Company, o meu lugar preferido em Paris, que o The Guardian chamou de “utopia socialista mascarada de livraria”, onde os livros até ao tecto são misturados com avisos como “deixe o gato dormir, esteve a ler toda a noite”.

Vencemos uma severa subida até ao Pantheon, um elegante edifício neoclássico que é morada eterna de franceses notáveis como Voltaire, Rousseau ou Alexandre Dumas (merecerá um post mais detalhado em breve). Os nossos pré-adolescentes ficaram algo incomodados com o ambiente sisudo e vieram curtir o sol nas escadarias, enquanto eu explorava o espaço com calma.

Já dos Jardins de Luxemburgo, a uma avenida de distância, foi difícil arrancá-los. É verdade que este é um oásis de tranquilidade e, para além disso, tem relvados assinalados onde nos podemos estender, ao contrário de alguns jardins parisienses. 

Inspirado nos Jardins Boboli em Florença, o parque tem mais duma centena de estátuas, um lago onde as crianças podem lançar os seus barquinhos e uma fonte monumental. Tudo isto é apenas uma introdução ao Palácio Real de Luxemburgo, que hoje acolhe o Senado de França.




Depois do almoço, seguimos até ao histórico Les Deux Magots (o nome deve-se às estatuetas chinesas que enfeitam o interior), no coração do bairro boémio de Saint-Germain-des-Prés, onde muitos escritores e artistas estrangeiros moraram no século passado. 

Há ainda uma elite que tenta preservar a sua autenticidade contra a invasão turística provocada pela fama literária (Paris é uma Festa, uma vez mais, a culpa do Hemingway que foi frequentador habitual) e cinematográfica (Meia Noite em Paris).

Nós sentamo-nos na esplanada para um longo café - 15,70€ por dois expressos e uma Perrier com gás de 33cl – observando pelo canto do olho duas requintadas francesas de cabelos grisalhos que almoçavam ao lado. Oh, gente chique!

A tarde reserva mais arte, ou não fosse Paris um ímpar centro artístico e cultural, com centenas de monumentos notáveis e museus de renome mundial. Depois de termos travado conhecimento com a Gioconda no dia de ontem, hoje visitamos Monet, Degas e Renoir no Musée d’Orsay, um sonho impressionista que importa limitar a um par de horas, com a promessa de um dia voltar.






Dali seguimos para a Esplanade des Invalides, uma grande praça ajardinada dominada pelo enorme monumento militar de cúpula dourada, planeado por Luís XIV para cuidar dos inválidos e feridos de guerra, onde hoje repousa o túmulo de Napoleão Bonaparte. Caminhamos novamente em direcção ao rio, para nos embevecermos com os quatro cavalos alados da mais bonita ponte de Paris: a ponte Alexandre III.

Terminamos este fim-de-semana no bairro de Monmartre, o bairro artístico por excelência, onde tantos pintores geniais criaram lindas obras de arte. Absorva o espírito artístico, deixe um dos inúmeros artistas da Place du Tertre fazer o seu retrato ou caricatura em apenas uns minutos, enquanto observa os detalhes inconfundíveis desta Paris boémia e despreocupada que encantou Picasso e Modigliani. 

Se tiver tempo, desfrute do pôr-do-sol desde a alvíssima Basílica do Sacré Coeur (segundo ponto mais alto da cidade de Paris, logo a seguir à Torre Eiffel) e murmure um “à bientôt, Paris”.



Se tiver mais dias, dê um saltinho à Disneyland Paris (dicas aqui), vá a Versalhes, dê um passeio de bateau-mouche pelo Sena, desfrute dos museus com a calma que merecem ou perca-se simplesmente pelas ruas de Paris.






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33 comentários

  1. Ruthia, obrigada pela menção do Mulher Casada Viaja, é uma honra estar aqui no Berço.
    Parabéns pelo roteiro! Conseguiu fazer bastante coisas em apenas 2 dias. E o miúdo, gostou?

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    1. O Pedrinho gostou e já tem um zilião de planos para quando voltarmos a Paris

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  2. Fui lá ver o blogue Mulher Casada Viaja.
    Gostei de passear consigo por Paris.
    Abraço e bom domingo

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    1. Fez muito bem. A Márcia é uma viajante muito charmosa

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  3. Ah, Paris! <3 Uma das minhas cidades preferidas no mundo... já estive algumas vezes por lá e penso que ainda voltarei muitas outras. Acho que é daqueles lugares que nunca se conhece por completo... sempre falta uma coisinha. O que é uma ótima desculpa para os repetecos, claro! Hahah...
    Adorei o post! Fiquei com aquela apertinho de saudade, sabe? :)

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    1. Concordo, há sempre muitos e bons motivos para voltar

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  4. Verdade que muito mais há para ver e sem ter de se socorrer do outro olhar, esse que aos olhos de todos aparece, mas muitos podem fazer crer não ver :)
    O primeiro dia deste roteiro é o que mais me cativa, embora não me importe nada de fazer também o segundo.
    Entre outros lugares, aconselho também uma visita à torre de Montparnasse, é imperdivel não ir assistir de lá a um pôr do sol e uma vista a 360º à nossa volta de toda a Paris. Outros locais como é óbvio existem e só me dá sdaudade e em breve regressar, afinal, Paris apeteces-me sempre!
    Bjs Ruthia.

    Rui
    Olhar d'Ouro - bLoG
    Olhar d'Ouro - fAcEbOOk

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  5. Gostei bastante de teu recorte na cidade. Eu fiquei 15 dias na cidade e deixei muita coisa para visitar. Paris oferece muitas opções!
    ;)

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    1. 15 dias é um sonho mas, como estamos aqui mais perto, podemos ir aproveitando aos poucos!

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  6. Para quem tem pouco tempo para conhecer Paris este é um ótimo roteiro, passa por vários pontos importantes e bem legais de se visitar. Gostei!

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    1. Ficou muita coisa por ver e explorar, mas a vida é feita de escolhas, né? Abraço

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  7. Esse roteiro super facilitou! Obrigada por compartilhar! Passa por vários pontos chaves em pouco tempo! :)

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    1. Ah Paris...é lindeza demais para uma cidade só... Belas dicas de passeios em pontos que não podem faltar em nenhum roteiro.

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  8. Que passeio lindo! Desconfio que Paris me encantará, mas passeando com você pude sentir desde já um pouco do aroma e da poesia desta bela cidade. Um sonho conhecer o Louvre e tantos outros lugares, mas passeando por seu belo texto (como sempre alias) fiquei a imaginar que em primeira visita à cidade, talvez eu queira apenas senti-la, caminhar por ela, ver seus elementos, sem visitar nada. Ou talvez, eu me deixe dominar pela ansiedade e queira visitar tudo! Não sei, acho que tenho que ir para saber e quando o fizer, tenho uma certeza: este texto estará embaixo do braço. bjus

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    1. Nessa história de viajar (e viver, já agora) cada um faz o que gosta ou o que tem vontade. Deambular sem rumo numa cidade estrangeira é um passatempo maravilhoso

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  9. atualmente quero mais é me perder pelas ruas de qualquer local nesta Europa maravilhosa, que enche de saudades e melancolia... amei a lição de história.. mesmo que a passos rápidos, deu para agregar novos conhecimentos... bjs

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    1. Foi bem a passos rápidos, desta vez, Dri. Mas são apenas sugestões para cada um adaptar aos seus gostos e vontades

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  10. Adorei o seu roteiro! Muito parecido com o que fiz quando estive pela cidade. Abs

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  11. Que legal amiga, um roteiro bem programado e assim com belas dicas numa bela postagem de generosidade da bela Paris. Já li sobre a igreja e imagino a beleza real.
    Grato Ruthia.
    Meu terno abraço

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  12. Gostei do Roteiro! sempre que vou pra Paris tento ficar pelo menos 4 dias, porque a cidade é grande, mas é ótimo ter uma opçao de roteiro de 2 dias para quem tem menos tempo na cidade luz!

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    1. Quatro dias é muito melhor para visitar os principais pontos com calma, e nós estivemos 4 dias na região, mas reservamos 2 deles para os parques da Disney

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  13. Nossa, que show o seu post!
    Sua sugestão de roteiro não podia ser melhor... muito completa!!!! ♥

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  14. Que roteiro sensacional! Em dois dias é possível ver o basicão de Paris e se deslumbrar com as paisagens da cidade.

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  15. Esse roteiro é matador! Adorei as dicas. Paris é realmente uma cidade deslumbrante e por isso precisamos delimitar bem o que fazer para aproveitar ao máximo. Abraços!

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    1. Como em todas as capitais europeias, tem que haver prioridades, conscientes que não é possível fazer e conhecer tudo em tão pouco tempo, né?

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  16. Mais uma vez, ler o Berço do Mundo é uma viagem dentro da própria viagem. Excelentes fotos e ainda melhor texto. Depois de começar, não dá para parar :) O roteiro é excelente. E fizeste-me perceber que me falta algo essencial em Paris, o Museu d’Orsay. Confesso ainda que tenho um fetiche pela Place des Vosges, conheces?

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    1. Ainda não conheço a Place des Vosges, mas fui pesquisar e descobri que fica lá a Casa do Victor Hugo, que é um excelente motivo para uma visita :)

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  17. já fui 3 vezes e ainda não vi tudo, muita coisa linda! vou pesquisar sobre o bairro q vc falou o Saint-Germain-des-Pré

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    1. Não me importava nada de passar lá algumas temporadas, como os artistas, para conhecer todos os recantos da cidade (suspiro)... não custa sonhar, né?

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  18. Roteiro perfeito e encantador! Adorei o café, tão charmoso.

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  19. Por Paris, temos milhares de coisas para fazer..Parabens pela sua seleção. Vitor Martins

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  20. Esses roteiros com poucos dias são ótimos, pq nem sempre temos mt tempo pra ficar no lugar né... Adorei a programação!

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