[8on8] o maravilhoso mosteiro da Batalha

Património da Humanidade da UNESCO desde 1983, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória é, indiscutivelmente, uma das mais belas obras da arquitectura portuguesa e uma das 7 maravilhas do país



Manhã de 14 de Agosto de 1385. As tropas portuguesas posicionam-se numa pequena colina à espera das forças inimigas, que chegam por volta da hora do almoço, sob o escaldante sol de Agosto. O adversário (soldados castelhanos e cavaleiros franceses), muito mais numeroso, é vencido por uma brilhante táctica de guerra.

O resultado desta que foi uma das batalhas mais importantes de toda a época medieval na Europa? Um milhar de mortos entre as forças portuguesas, cerca de quatro mil mortos e cinco mil prisioneiros do lado adversário. Outros tantos foram mortos pelo povo, quando fugiam de volta para Castela.

Em agradecimento à Virgem pelo triunfo que lhe assegurou o trono e garantiu a independência de Portugal, o rei D. João I mandou construir o lindo Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido como Mosteiro da Batalha (mais detalhes aqui para os amantes de História).


D. Nuno Álvares Pereira, responsável pela táctica militar na Batalha de Aljubarrota, lembrado junto ao mosteiro
© Mosteiro da Batalha.                     O topo do túmulo é muito alto para se fotografar sem um tripé gigante.

As obras estenderam-se por mais de 150 anos, o que explica as diferenças artísticas: o edifício é predominantemente gótico (com o toque lusitano do Manuelino) mas possui apontamentos renascentistas. Vários acréscimos ao projecto inicial resultaram no enorme conjunto monástico que hoje inclui igreja, dois claustros com dependências anexas e dois panteões reais: a Capela do Fundador e as Capelas Imperfeitas.

Cruzamos o majestoso pórtico de Huguet, com seis apóstolos de cada lado esculpidos em pedra como se fosse filigrana, levantamos os bilhetes e seguimos para a Capela do Fundador. O panteão tem vários túmulos de príncipes ao longo das paredes (a ínclita geração, escreveu Camões), mas o olhar é repetidamente atraído para o centro, onde D. João I repousa, sereno, de mão dada com a sua rainha.

Demoramo-nos longamente por ali, antes de seguirmos pela monumental igreja, com toda a leveza aérea característica do gótico, demasiado grande para a quantidade de dominicanos que aqui permaneceu. Trata-se de uma clara afirmação de poder da nova dinastia.




Uma das esculturas do romeno Mircea Roman.

O claustro prende-nos igualmente, com os imensos detalhes fotogénicos e o murmúrio calmante das águas da fonte. As esculturas do romeno Mircea Roman perfilam-se nos corredores, numa exposição que chamou de Sacrifício e está patente até o final de Outubro de 2018…

Temos que sair do mosteiro para finalizar a visita nas Capelas Imperfeitas: o meu recanto preferido. Imperfeitas porque inacabadas, sublinhe-se, porque nada, absolutamente nada, é feio ali. D. Duarte mandou construir o espaço no primeiro ano do seu reinado, mas a sua morte e, logo no ano seguinte, o do mestre Huguet ditou que a obra nunca fosse terminada. 

Ele e a esposa foram finalmente depositados na sua capela funerária já em pleno século XX, repousando juntos na eternidade, à luz das estrelas…


Site do mosteiro: aqui
Horário: 16 outubro a 31 março 9h00-18h00; 1 abril a 15 outubro 9h00-18h30
Bilhete: 6€ (adulto), 3€ (seniores, estudantes, famílias), grátis (crianças até aos 12 anos, alunos e professores em visitas de estudo, desempregados), grátis ao domingo de manhã







Este post faz parte do 8on8 um projecto colectivo que une lindas viajantes em volta de um tema comum, no dia 8 de cada mês. Espreitem os restantes textos sob o tema "arquitectura", desfrutem, partilhem e inspirem-se (por ordem alfabética):

Espiando pelo Mundo [8on8] arquitetura: o homem e suas obras extraordinárias, construções pelo mundo







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22 comentários

  1. Que post lindo!!!! Amei cada uma das fotos!!! Você é uma artista! Tanta beleza e sensibilidade em cada imagem. Que olha o lugar nem imagina a história sangrenta por trás do local. Preciso ir para Portugal urgente :)

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    1. Muito obrigada pelo comentário elogioso, Lulu. A história entre Portugal e Espanha foi muito turbulenta durante séculos e séculos. Felizmente isso é coisa do passado.
      P.S. vem visitar-nos, faço visita guiada à minha cidade

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  2. Em virtude da população não muito numerosa, Portugal sempre recorreu a táticas que preservavam os soldados na guerra. Ok, as guerras não deveriam existir, mas existem, e é fascinante perceber como é possível vencer sem ter à disposição a força do maior contingente. Foi assim em Aljubarrota e em muitos outros casos, não?
    As fotos, como sempre, estão incríveis. Quanto ao tripé gigante, devemos consolar-nos com o fato de que essas construções não foram pensadas para fotógrafos (por razões óbvias rsrsrsssss).

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    1. No caso de Aljubarrota, a brilhante tática militar teve a assinatura de Nuno Álvares Pereira, que nunca perdeu uma batalha. Não é à toa que Camões lhe faz tantas vezes referência em "Os Lusíadas"

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  3. Obrigada pela partilha. Acredita que nunca lá entrei? E olhe que por fora jy o vi dezenas de vezes.
    Abraço

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  4. realmente uma arquitetura maravilhosa! As construções em Portugal são de uma beleza incrível, não vejo a hora de conhecer mais do país. Abraços

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  5. Seguramente me demoraria muitas horas percorrendo o passado glorioso de Portugal através Mosteiro de Santa Maria da Vitória! De fato mais dos belíssimos monumentos do país. Que riqueza de detalhes e que grandiosidade! Que ideia mais feliz trazer o Mosteiro da Batalha neste [8 on 8]: beleza e história reunidas sob seu olhar: como não adorar?! bjus

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    1. Eu não ia ao mosteiro desde criança. Este Verão voltei para o "apresentar" ao meu filho, que já andava a cobrar uma visita há algum tempo. É belíssimo!

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  6. Os mosteiros portugueses são incrìveis! Eu me apaixonei pelo estilo manuelino! Pessoalmente conheci apenas o dos Jerònimos. Me encantei! Mas o que eu mais adorei neste é este tom amarelado!

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    1. O estilo manuelino é muito especial, de facto. E se gosta particularmente dele, tem que visitar o convento de Cristo, em Tomar.

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  7. Que MARAVILHA de verdade e merece o título! belas tuas fotos e explicações! bjs, tudo de bom,chica

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  8. Mais um relato envolvente e imagens maravilhosas - e que lugar lindo! Estas a me convencer a ir à terrinha, Ruthia! beijos e até o próximo 8on8.

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  9. Preciosas fotos, muy bonita publicación.

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  10. Aprecio bastante essa arquitetura antiga não canso de olhar as imagens.
    Portugal é um pais para se viajar muitas vezes.
    Em toda viagem que faço gosto de estar segura - então vou deixar uma dica de site sobre este assunto aqui em baixo.
    https://www.assistentedeviagem.com.br/seguro-viagem/seguro-viagem-europa/"

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  11. É incrível a riqueza de detalhes que chegam a lembrar rendas lindamente bordadas. Os túmulos também são suntuosos, sem falar em toda a história que os visitantes conhecem no mosteiro. Merece mesmo ser incluído no roteiro.

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    1. É isso, os pedreiros faziam um trabalho tão delicado, que parece renda em pedra. Quanta arte e quanto trabalho terá um conjunto gigante como este, não acha?

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  12. Adorei a forma como você apresentou a visita. Teu texto é super elegante. E o sítio é de tirar o fôlego!

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  13. realmente um lugar encantador e cheio de detalhes, gostei muito do seu olhar! uma viagem ao tempo...tem tantas coisas em Portugal e eu só conheci um pikititinho hahahaa

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  14. Que lugar mais lindo! Amei o seu post (adoro a forma como vc escreve). E como sempre, uma ótima dica que já anotei no meu caderninho para visitar quando estiver na região! E o melhor de tudo é que é baratinha hihihi :D :D :D

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    1. Se visitar num domingo de manhã, fica mesmo baratinha a visita :)
      Aproveite para dar um saltinho a Óbidos. Espero ter tempo em breve para escrever sobre...

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  15. Wow! Que lugar mais impressionante! Fico impressionado com todos os detalhes destas construções portuguesas.
    Parabéns pela narrativa e pelas fotos!

    Abraços

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

Obrigada por ler as minhas aventuras e ainda gastar um momento para comentar. A sua presença é muito importante para mim. Um abraço e até breve!